STF identifica tentativa de tumulto e acelera prisão de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes alertou previamente sobre o modus operandi do bolsonarismo, e nas últimas semanas surgiram evidências que confirmam sua análise, segundo o STF. A convocação de uma vigília em frente ao condomínio de Jair Bolsonaro, associada à violação da tornozeleira eletrônica, compõe o que o relator da investigação considera uma tentativa de gerar instabilidade e possivelmente facilitar uma fuga, acelerando a ordem de prisão.
José Benedito da Silva, colunista de VEJA, resumiu no programa Ponto de Vista que os apoiadores do ex-presidente subestimaram a atenção das autoridades. Essa opinião é compartilhada por membros do Judiciário e Polícia Federal, que monitoram permanentemente o entorno de Bolsonaro há meses.
Em Brasília, questiona-se como aliados do ex-presidente acreditaram que uma mobilização anunciada nas redes sociais, junto ao descumprimento de medida cautelar, passaria despercebida. Moraes, traumatizado pelos eventos de 8 de janeiro, tem reagido prontamente a qualquer ação que remeta a uma escalada golpista, ainda que incipiente.
Um exemplo citado pelo colunista foi o acampamento do deputado Hélio Lopes em frente ao STF. Moraes ordenou imediatamente sua remoção, determinou ação rápida da Polícia Militar e fixou punição ao governo do Distrito Federal caso a ordem não fosse cumprida. Não houve hesitação ou espaço para interpretações.
Para o Supremo, o padrão está claro: qualquer aglomeração que lembre os acontecimentos anteriores a 8 de janeiro deve ser contida antes de crescer. A convocação feita por Flávio Bolsonaro reforçou essa avaliação de risco.
Outro episódio que influenciou a decisão de Moraes foi a suspensão do passaporte diplomático de Alexandre Ramagem. Também foram consideradas as saídas de aliados próximos como Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro. Segundo José Benedito, essa fuga criou um contexto perigoso.
No STF, há um temor explícito de que condenados atuem do exterior, questionando a legitimidade das instituições brasileiras e espalhando narrativas de perseguição. Uma eventual fuga de Bolsonaro seria devastadora e politicamente explosiva.
O colunista destacou o risco de Bolsonaro se posicionar fora do país, dizendo-se vítima de uma ditadura, o que seria prejudicial para o Brasil. Por isso, o Supremo agiu para eliminar essa possibilidade.
As consequências do ataque às sedes dos Três Poderes ainda influenciam decisões e ações das autoridades. Moraes e órgãos de segurança veem qualquer ação de rua organizada pelos aliados de Bolsonaro como o possível começo de algo mais grave.
José Benedito observou que esses movimentos começam pequenos, mas podem crescer e sair do controle, e o STF não quer repetir esse erro.
A prisão preventiva do ex-presidente foi decretada não pelo desfecho final do processo sobre a trama golpista, ainda com recursos pendentes, mas exclusivamente pela análise das recentes movimentações: risco de fuga, quebra de medida cautelar e tentativa de mobilização irregular.
Para o Supremo, havia uma engrenagem em andamento, ainda que pouco organizada, e precisava ser interrompida antes de se tornar irreversível.
Créditos: Veja Abril