Médicos de Bolsonaro relatam confusão mental após uso de medicamento e suspendem remédio
A equipe médica que acompanha Jair Bolsonaro (PL) relatou que o ex-presidente apresentou um quadro de “confusão mental e alucinações” durante o episódio em que tentou mexer na tornozeleira eletrônica, atribuindo o ocorrido a uma interação medicamentosa.
Segundo os médicos Cláudio Birolini e Leandro Echenique, o uso do medicamento Pregabalina foi suspenso imediatamente e Bolsonaro está clinicamente estável. O episódio, que o ex-presidente descreveu como um momento de paranoia em sua audiência de custódia, resultou na decretação da sua prisão preventiva na véspera.
O boletim médico assinado pelos profissionais indica que, na noite de 21 de novembro, Bolsonaro apresentou os sintomas possivelmente causados pela Pregabalina, remédio receitado por outra médica sem o conhecimento da equipe atual. Esse medicamento tem importante interação com remédios que o ex-presidente utiliza regularmente para tratar crises de soluços (Clorpromazina e Gabapentina) e é conhecido por causar alteração do estado mental, incluindo confusão, desorientação, coordenação anormal, sedação, alterações no equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos.
Os médicos esclarecem que o remédio foi suspenso e não há sintomas residuais até o momento. Bolsonaro foi preso preventivamente no dia 22 de novembro pela Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base no risco de fuga e ameaça à ordem pública.
A médica Marina Pasolini, responsável pela prescrição da Pregabalina, esteve na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, local de prisão do ex-presidente, na tarde do domingo seguinte, mas não respondeu às perguntas da imprensa e afirmou que analisaria o caso.
Desde o início do ano, Bolsonaro alterou sua equipe médica, estando atualmente sob os cuidados do cirurgião geral Cláudio Birolini e do cardiologista Leandro Echenique, que assinaram o boletim médico entregue à defesa para solicitar a manutenção da prisão domiciliar antes da decretação da prisão preventiva.
Em outubro, o ministro Alexandre de Moraes autorizou, a pedido da defesa, a inclusão da endocrinologista Marina Pasolini na equipe médica de Bolsonaro para acompanhamento multidisciplinar devido à piora das crises de soluços.
Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto até ser levado pela Polícia Federal após a decisão judicial.
O caso ainda recebe atenção jurídica e médica, considerando a complexidade dos sintomas e o contexto de prisão preventiva por ordem do STF.
Créditos: Folha de S.Paulo