Médicos de Bolsonaro vinculam uso de remédios a alucinações e tentativa de violar tornozeleira
Os médicos de Jair Bolsonaro, Cláudio Birolini e Leandro Echenique, relataram neste domingo (23.nov.2025) na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília as condições de saúde do ex-presidente, que está preso preventivamente desde o dia anterior.
No relatório apresentado nos autos da Ação Penal 2668, eles apontam que o uso da Pregabalina, associada à Clorpromazina e à Gabapentina, pode ter provocado um quadro de confusão mental e alucinações em Bolsonaro. A Pregabalina foi prescrita por uma outra médica sem o conhecimento da equipe atual. Conforme o documento, esses medicamentos juntos têm efeitos colaterais como desorientação, sedação, transtornos de equilíbrio e cognitivos.
A médica Marina Grazziotin Pasolini receitou Pregabalina em 17 de novembro, mas o uso foi suspenso logo após o quadro informado. Os médicos afirmam que foram feitos ajustes para restabelecer a medicação anterior e que seguirão acompanhando o ex-presidente.
Durante audiência de custódia, Bolsonaro afirmou que tentou violar sua tornozeleira eletrônica após um surto desencadeado pela ingestão dos medicamentos Pregabalina e Sertralina, que teriam interagido de forma inadequada. Ele relatou um estado de alucinação, imaginando que havia uma escuta na tornozeleira, tentativa que não foi presenciada por familiares ou assessores que estavam no local.
A ata do procedimento registra que o ex-presidente admitiu ter manipulado o dispositivo com um ferro de solda, equipamento que disse saber usar, e que anos antes já possuía. Ele iniciou a ação à noite e a interrompeu por volta da meia-noite, comunicando os agentes de sua custódia.
A defesa sustenta que a tentativa de abertura não configurou uma fuga, citando o monitoramento contínuo por agentes da Polícia Federal. Também argumenta que o comportamento ilógico de Bolsonaro pode ser explicado pelo quadro de confusão mental associado à idade e ao estresse, e que o uso do ferro de solda em vez de tiras indica que não houve intenção clara de romper a tornozeleira.
Além disso, a defesa pediu a conversão da prisão preventiva em domiciliar por razões humanitárias, destacando o estado delicado da saúde de Bolsonaro.
Um vídeo e um relatório do Supremo Tribunal Federal confirmam queimaduras na tornozeleira compatíveis com uso do ferro de solda. A diretora adjunta do Cime esteve no local para inspeção presencial.
A Gabapentina é um medicamento genérico utilizado para modular mensagens nervosas, reduzindo dor neuropática e crises convulsivas. A Pregabalina é um anticonvulsivante que diminui a excitabilidade dos neurônios. A Clorpromazina é um antipsicótico de baixa potência que atua como estabilizador do sistema nervoso central e periférico.
Os documentos apresentam também as indicações e os possíveis efeitos adversos de cada um dos medicamentos citados na matéria.
Créditos: Poder360