Política
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Bolsonaro alega ‘alucinações’ por remédios por trás da violação da tornozeleira

O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) que “alucinações” e “certa paranoia” causadas pelo uso dos medicamentos pregabalina e sertralina motivaram a violação da sua tornozeleira eletrônica.

Em sessão perante o STF, Bolsonaro afirmou que acreditava existir uma escuta em sua tornozeleira e justificou que, tomado por esses transtornos mentais, usou um ferro de solda para tentar abrir o aparelho. A violação do monitoramento eletrônico foi mencionada pelo ministro Alexandre de Moraes para manter a prisão preventiva do ex-presidente e determinar sua transferência para outra sala na Superintendência da Polícia Federal.

A decisão de Moraes será submetida à Primeira Turma da Corte. A defesa de Bolsonaro argumenta que ele sofreu confusão mental provocada pelos medicamentos, buscando a revisão da prisão preventiva.

Durante a audiência, realizada por videoconferência, Bolsonaro explicou que iniciou o uso de um dos remédios quatro dias antes do ocorrido, prescrito por médica fora da sua equipe habitual. Os dois medicamentos citados foram pregabalina, um anticonvulsivante usado para ansiedade, e sertralina, um antidepressivo.

Segundo a ata da audiência divulgada pelo STF, Bolsonaro declarou ter tido uma “certa paranoia” entre sexta e sábado devido à interação inadequada dos medicamentos prescritos por diferentes médicos.

A psiquiatra Natalia Travenisk Hoff comentou que a associação dos dois remédios é possível, mas que efeitos colaterais como alucinações e desorientação ocorrem em menos de 2% dos pacientes, com maior frequência no início do tratamento ou após ajustes súbitos de dose.

Bolsonaro tentou separar com um ferro de solda a parte da tornozeleira que indica sua localização, afirmando que agiu por “curiosidade”. Ele disse que estava sozinho na ação e que os familiares presentes em sua casa estavam dormindo. Também declarou ter interrompido o ato ao “cair na razão” por volta da meia-noite.

O ex-presidente negou intenção de fuga e afirmou que não rompeu a cinta do equipamento. Ele ressaltou ter conhecimento para usar o ferro de solda devido a um curso realizado anteriormente.

Sobre a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, apontada como outro motivo para a prisão, Jair Bolsonaro destacou que o evento ocorreu a 700 metros de sua casa, sem possibilidade de facilitar uma fuga.

A juíza auxiliar Luciana Sorrentino homologou o mandado de prisão ao considerar que não houve relatos de abuso ou irregularidade por parte da polícia durante o cumprimento do mandado.

Após o depoimento, a defesa solicitou a reconsideração da prisão preventiva destacando a condição de confusão mental do ex-presidente causada pelos medicamentos.

Em boletim médico, a equipe que avalia Bolsonaro indicou que a confusão mental pode ter sido “possivelmente induzida” pelo uso da pregabalina, que foi prescrita por médica de fora da equipe habitual e interagiu com os remédios que ele já tomava para crises de soluço. O uso da pregabalina foi suspenso imediatamente, sem sintomas residuais até o momento, e avaliações continuarão sendo feitas.

A médica responsável pela prescrição da pregabalina, Marina Pasolini, visitou Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal e informou que avaliaria seu estado de saúde, mas não forneceu declarações.

A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, esteve com ele na prisão após autorização judicial, permanecendo cerca de duas horas na visita.

Durante o início da prisão, Bolsonaro evitou refeições padrão da Polícia Federal, optando por um cardápio caseiro simples e com baixo teor de gordura, conforme recomendação médica.

Créditos: O Globo

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