Governo minimiza críticas dos EUA sobre prisão de Bolsonaro e Moraes
O governo brasileiro tem tratado com descaso as manifestações do Departamento de Estado dos Estados Unidos em relação à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às críticas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Christopher Landau, vice-secretário de Estado dos EUA, classificou a prisão de Bolsonaro no sábado (22) como “provocativa e desnecessária”. Essa declaração foi feita nas redes sociais e republicada pela Embaixada dos EUA em Brasília no domingo (23).
Fontes da diplomacia brasileira acreditam que esse posicionamento não afetará as negociações com os Estados Unidos. Argumentam que a fala veio de um funcionário do Departamento de Estado, que é chefiado por Marco Rubio, e que a decisão final cabe ao governo americano.
Após os EUA retirarem a sobretaxa de 40% sobre alguns produtos brasileiros, o governo Lula continua buscando o cancelamento das sanções contra autoridades brasileiras, como a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, além da suspensão total das tarifas adicionais para todos os setores.
Landau expressou profunda preocupação com o que chamou de “novo ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil” promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, que é relator da ação penal sobre o plano golpista no STF.
Essa foi a primeira manifestação oficial dos EUA em redes sociais sobre Bolsonaro desde o encontro entre Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Fontes informam que Bolsonaro não foi tema nas recentes conversas entre os presidentes dos dois países.
Diplomatas brasileiros afirmam que apresentaram ao governo americano esclarecimentos sobre a situação jurídica do ex-presidente e ressaltam que ele teve um julgamento justo. Eles também defendem que não existem motivos políticos para a manutenção da suspensão de vistos e da aplicação da Lei Magnitsky.
Desde o início da crise, em julho, o governo Trump revogou vistos de ministros do STF e de integrantes do governo brasileiro, além de aplicar a Lei Magnitsky contra Moraes e sua esposa.
As sanções foram justificadas pela alegação de uma perseguição contra Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde agosto. Em setembro, ele foi condenado a 27 anos e três meses de regime fechado por planejar um golpe de Estado após perder a eleição presidencial para Lula.
Na carta enviada a Lula ao instituir a sobretaxa de 40% em julho, Trump mencionou Bolsonaro e falou em “caça às bruxas”. No anúncio da retirada da tarifa, em 20 de outubro, o ex-presidente americano não fez menção ao brasileiro.
Créditos: CNN Brasil