Política
08:06

Defesa de Bolsonaro questiona prisão e alerta para risco à saúde do ex-presidente

A equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro criticou a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao deixar a sede da Polícia Federal em Brasília, o advogado Paulo Cunha Bueno definiu a decisão como “inconcebível” e ressaltou que Bolsonaro sempre colaborou com as investigações, sem tentar fugir da Justiça.

Conforme Bueno, o ex-presidente acompanhou todas as fases da ação relacionada à trama golpista, inclusive espontaneamente após a denúncia ser recebida pela Primeira Turma do STF. Ele ressaltou que Bolsonaro tem um quadro de saúde grave, que se agravou desde o atentado de 2018.

“Ele passou por seis cirurgias longas, a última durou 12 horas. Foi internado diversas vezes por semiobstruções intestinais, incluindo logo após o dia 8 de janeiro, quando já estava nos Estados Unidos”, explicou.

O advogado comparou o tratamento do ex-presidente com o de outros políticos investigados, como o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que cumpre prisão domiciliar por problemas de saúde. “Collor está em prisão domiciliar devido à apneia do sono e Parkinson, enquanto Bolsonaro permanece preso na Polícia Federal apesar de seu quadro clínico mais sério”, criticou.

Outro ponto destacado pela defesa foi a imposição do uso da tornozeleira eletrônica, vista como um instrumento com “finalidade de humilhação”. Bueno frisou que Bolsonaro vive sob vigilância constante, com agentes armados da Polícia Federal presentes permanentemente em sua residência, algo incomum mesmo para aqueles que usam tornozeleira.

Indagado sobre o motivo do dano à tornozeleira, o advogado evitou responder diretamente, ressaltando que a obrigatoriedade do equipamento é injustificada. “A medida serve apenas para justificar o injustificável. Não havia razão para o uso desse dispositivo”, completou.

Mais cedo, Bueno e o advogado Celso Vilardi divulgaram uma nota afirmando que a prisão coloca a vida do ex-presidente em risco. Segundo eles, “o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode ameaçar sua vida”.

Ainda de acordo com a nota, “a prisão preventiva causa profunda perplexidade, especialmente porque, conforme a cronologia dos fatos (representação feita em 21/11), baseia-se em uma vigília de orações”. Eles reforçam que a Constituição de 1988 garante o direito de reunião, especialmente para a liberdade religiosa.

Créditos: Correio Braziliense

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