COP30 em Belém sofre com ausências, incêndio e problemas logísticos
A 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP30, terminou no sábado, 22 de novembro de 2025, após a aprovação do texto final conhecido como “Mutirão Global”. O resultado da conferência ficou abaixo das expectativas de governos, especialistas e cientistas.
O evento realizado em Belém, Pará, enfrentou diversos problemas, incluindo a ausência de líderes globais, falhas na infraestrutura e até um incêndio. No segundo dia do evento, 11 de novembro, houve uma tentativa de invasão da área restrita, e no dia 20 um incêndio na zona de pavilhões obrigou a interrupção das negociações.
Antes mesmo da cúpula, os preços elevados de hospedagem em Belém geraram críticas. Alguns hotéis cobraram diárias até dez vezes maiores do que o habitual. Em julho, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, comentou que participantes sugeriram a mudança do local devido aos custos, mas o governo brasileiro optou por manter Belém como sede.
Devido aos altos preços, muitas pessoas desistiram de participar, e embora os valores de hospedagem tenham diminuído semanas antes do evento, muitos quartos permaneceram vagos. Motéis tentaram atrair hóspedes com preços mais acessíveis, mas a demanda foi baixa.
O governo federal contratou dois navios de cruzeiro por R$ 71,7 milhões para suprir a falta de quartos, destinando 450 cabines para delegações estrangeiras e 400 para a delegação brasileira. O presidente Lula e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, permaneceram no barco Iana 3, que precisou ser transportado de Manaus a Belém devido à falta de embarcações de grande porte na capital paraense. O transporte consumiu pelo menos 4.000 litros de óleo diesel, apontando uma contradição com o discurso de fim dos combustíveis fósseis.
O aeroporto de Belém tem espaço limitado para estacionamento de aeronaves, o que fez com que vários presidentes desistissem de comparecer à cúpula. O presidente francês Emmanuel Macron esteve na cidade por apenas um dia. Várias lideranças, como Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei, não participaram do evento. Também houve menor participação de executivos norte-americanos, por receio de retaliação do governo Trump.
Os preços na praça de alimentação foram altos, com pratos típicos custando até R$ 110 e café espresso a R$ 25. O consumo de alimentos externos não era permitido por questões de segurança, e mesmo assim houve filas grandes para o almoço.
No primeiro dia, um corredor da área de imprensa foi alagado por infiltrações causadas pela chuva frequente na região, o que comprometeu o acesso à central de transmissão.
No segundo dia, a tentativa de invasão da Zona Azul resultou em danos a um aparelho de raio-x e ferimentos em dois seguranças, sem prisões. A maioria dos manifestantes eram indígenas e militantes que reivindicavam medidas como taxação de bilionários e combate efetivo ao aquecimento global.
No quinto dia, um novo protesto indígena bloqueou o acesso à conferência. Na Cúpula dos Líderes, realizada antes da COP30, faltou água e diversos espaços estavam em obras ou inacabados. Foi também registrado calor intenso e falhas no ar-condicionado, assim como interrupções no fornecimento de energia e falta de água nos banheiros.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, expressou alívio ao deixar Belém, destacando o desconforto enfrentado.
A primeira-dama Janja Lula da Silva teve destaque no evento, embora tenha cometido uma gafe na pronúncia de uma palavra durante entrevista.
O incêndio na quinta-feira, 20 de novembro, próximo ao fim do evento, forçou a evacuação de jornalistas, negociadores e ministros, sem feridos graves, mas interrompeu as atividades diplomáticas.
No dia 21, dois turistas estrangeiros caíram em um bueiro sem tampa próximo ao terminal de navios, sendo resgatados sem ferimentos graves.
O texto final da COP30 foi criticado por governos, cientistas e organizações por não definir prazos para o fim do uso de combustíveis fósseis e para o desmatamento, resultando em avanços insuficientes.
As negociações foram tensas nos últimos dias, com o presidente Lula retornando a Belém em 19 de novembro para tentar incluir menção aos combustíveis fósseis, mas sua intervenção foi criticada por alguns países. O texto final foi divulgado apenas no sábado, causando atraso no encerramento da cúpula.
O governo brasileiro também buscou ganhos simbólicos, como a inclusão do termo “mutirão” no documento, termo de origem indígena que expressa esforço coletivo, mas sua tradução e pronúncia apresentaram dificuldades para os participantes estrangeiros.
Créditos: Poder360