Duas funcionárias são mortas por colega no Cefet do Maracanã
Duas funcionárias foram mortas a tiros por um colega dentro da unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã, Zona Norte do Rio, na tarde desta sexta-feira. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 15h50.
A professora Allane de Souza Pedrotti Matos, atingida na cabeça e no ombro, e a psicóloga escolar Layse Costa Pinheiro, ferida na cabeça e no tórax, foram levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiram. O caso está sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital.
Relatos indicam que o funcionário João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves chegou normalmente pela manhã e cumprimentou colegas. À tarde, entrou na direção do Cefet e fez os disparos, acertando as duas mulheres que trabalhavam na Diretoria de Ensino.
Após os disparos, o autor tirou a própria vida. As aulas do turno da noite foram canceladas.
A Polícia Militar informou, com base no comando do 6º BPM (Tijuca), que policiais foram acionados após registro de disparos dentro da unidade. No local, encontraram as duas mulheres feridas, que receberam atendimento do Corpo de Bombeiros e foram encaminhadas ao hospital. Buscas nas dependências do Cefet localizaram o corpo do homem suspeito dos disparos.
Em nota, a Direção-Geral do Cefet/RJ lamentou a tragédia que abalou a comunidade acadêmica e decretou luto oficial de cinco dias a partir de 1º de dezembro de 2025.
Alunos e estagiários relataram o momento de pânico. O estudante Jonatam Araújo, 19 anos, disse ter ouvido quatro tiros durante a aula. Uma funcionária avisou sobre a presença do atirador, e um policial orientou os presentes a permanecerem no local. Após buscas, os alunos foram liberados.
Maria Beatriz Albuquerque, 18 anos, estava no pátio quando ouviu os disparos e inicialmente achou ser um trote. Após ver funcionários pedindo socorro para uma pessoa ferida, percebeu a gravidade da situação.
A estagiária Adrynni Emannuele, 26 anos, afirmou que se escondeu na cantina até os policiais afirmarem que era seguro sair.
Mariah Emanoela da Silva, 18 anos, informou que o Cefet estava cheio devido a uma confraternização de fim de ano dos alunos do 3º ano, e descreveu o clima de desespero e organização na evacuação.
O professor Hilário Rodrigues, que lecionava para cerca de 25 alunos, foi alertado sobre um possível tiroteio e manteve os alunos nas salas até a chegada das autoridades, destacando que não houve treinamento prévio para situações desse tipo.
Sobre as vítimas, Allane de Souza Pedrotti Matos era doutora em Letras pela PUC-RJ com pesquisa em Linguística Aplicada, com parte do doutorado realizado na University of Copenhagen, na Dinamarca, financiado pela Capes. Formada em Pedagogia pela UFRJ em 2006, tinha especialização em Psicomotricidade e mestrado em Sistemas de Gestão pela UFF.
Ela atuava como coordenadora da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do Cefet/RJ, presidia a comissão geral de Permanência e Êxito e integrou diversas comissões acadêmicas. Além disso, tinha uma vida ativa na música como cantora, compositora e pandeirista, integrando o Grupo Quilombo Urbano.
Já Layse Costa Pinheiro, servidora pública federal do Cefet-RJ, foi a primeira colocada no concurso para psicóloga em 2014. Atuou em Gestão de Pessoas de 2014 a 2017 e em Psicologia Escolar a partir de então.
Ela era graduada em Psicologia pela Uerj, com especialização em Gestão de Pessoas, e teve mestrado incompleto em Psicologia Social da UERJ. Nas redes sociais, se definia como apaixonada por música e dança de salão.
Este não foi o primeiro ataque ao Cefet do Maracanã. Em 25 de novembro de 1998, o prédio foi alvo de uma bomba que causou ferimentos a uma professora, danos à estrutura e pânico na unidade. Na ocasião, a bomba chegou disfarçada de presente com nome da professora escrita no envelope, e a vítima havia ido ao local para buscar objetos pessoais após aposentadoria.
Créditos: extra.globo