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Pedagogo mata duas mulheres no Cefet-RJ e é encontrado morto

Na manhã da sexta-feira, o pedagogo João Antônio Miranda Tello Ramos utilizou uma pistola Glock calibre 380 — registrada em seu nome porque ele era CAC (colecionador, atirador desportivo e caçador) — para assassinar a diretora Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), localizado no Maracanã, Zona Norte do Rio.

Após o crime, o suspeito foi encontrado morto ao lado da arma e de diversas munições, levando a polícia a considerar a possibilidade de suicídio. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso como feminicídio, já que testemunhas afirmaram que João não aceitava ser subordinado a mulheres. A investigação está em fase final.

Segundo relatos, João chegou normalmente à escola pela manhã e cumprimentou os colegas. À tarde, entrou na diretoria e atirou contra as duas mulheres que ali trabalhavam, para em seguida tirar a própria vida.

Allane foi atingida na cabeça e no ombro, enquanto Layse levou tiros na cabeça e no tórax. Ambas foram levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiram aos ferimentos. Seus enterros ocorreram no domingo, em cemitérios diferentes na cidade.

A deputada estadual Elika Takimoto, ex-professora do Cefet licenciada desde 2022, esteve nos velórios e comentou o impacto da tragédia, afirmando que não sabe quando docentes e alunos poderão retornar ao local. Colegas que presenciaram o crime relataram que o atirador carregava ao menos 50 projéteis em sua mochila e tinha histórico de agressividade contra mulheres.

Nas redes sociais, a cantora Elisa Maia, amiga de Allane, questionou o retorno do pedagogo ao trabalho, uma vez que ele estava afastado havia 60 dias por acusar uma colega de perseguição, cuja acusação foi descartada após processo administrativo.

A irmã da diretora morta, Alline de Souza Pedrotti, acredita que o crime poderia ter sido evitado se a direção do Cefet tivesse impedido a entrada do funcionário armado na escola. Ela afirmou que outras funcionárias também se sentiram ameaçadas e foram embora ao saber da presença dele. Segundo Alline, a irmã estava amedrontada desde o ano anterior e chegou a pedir para que cuidasse de sua filha, caso algo acontecesse.

Na segunda-feira, o Cefet permaneceu fechado, com apenas vigilantes e funcionários realizando obras no local. A direção manifestou pesar pelo ocorrido e decretou luto oficial por cinco dias. Os Ministérios da Educação e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos estão organizando uma força-tarefa para apoiar o Cefet e prestar atendimento aos servidores e estudantes.

Créditos: Extra Globo

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