Saúde
15:09

Bolsonaro será submetido a cirurgia para hérnia inguinal em Brasília

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado na quarta-feira (24) no hospital DF Star, em Brasília, para passar por uma cirurgia que visa corrigir uma hérnia inguinal e tratar soluços persistentes.

A operação está marcada para quinta-feira (25) e, conforme informado pelos advogados, a internação deverá durar entre cinco e sete dias.

O procedimento recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após avaliação médica da Polícia Federal que indicou a necessidade de intervenção para evitar a piora da condição.

Uma hérnia ocorre quando uma parte de um órgão ou tecido interno se projeta por uma abertura ou área enfraquecida da musculatura, geralmente na parede abdominal, envolvendo gordura ou até parte do intestino.

Na hérnia inguinal, a falha está na aponeurose, tecido presente na camada de gordura do abdômen, do mamilo até a virilha. Fatores como excesso de peso, esforço físico repetido, prisão de ventre e tosse crônica contribuem para seu surgimento.

A aponeurose funciona como um cimento que mantém os órgãos no lugar. Quando enfraquecida, esse tecido abre um espaço, permitindo que algo escape, o que gera um inchaço visível sob a pele, formando um volume arredondado, semelhante a um caroço, na região da virilha, onde há passagem natural entre abdômen e pelve no canal inguinal.

Na maioria dos casos, o que sai do lugar é uma parte do intestino.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH), nem todas as hérnias abdominais (incluindo a inguinal) demandam cirurgia imediata. Estudos atuais indicam que, em pacientes cuidadosamente selecionados e sem dor, o acompanhamento clínico pode ser seguro.

Contudo, a cirurgia é o tratamento definitivo para o problema.

Em casos com desconforto, recomenda-se a operação o mais breve possível. Sem sintomas, a decisão pode ser tomada com calma, considerando o tipo de hérnia e a condição de saúde do paciente.

A presença da hérnia não é indicativo de doença nem oferece risco iminente à vida, porém a maioria desenvolve sintomas com o tempo.

Se não tratada, podem ocorrer complicações graves, como necrose da parte do intestino presa ou obstrução do órgão.

A correção cirúrgica da hérnia é relativamente simples e é a cirurgia abdominal mais comum, com cerca de 700 mil procedimentos anuais somente nos Estados Unidos.

O procedimento consiste em recolocar o órgão em seu lugar e fechar a falha na musculatura.

Desde os anos 1980, utiliza-se uma tela para cobrir a abertura. Na cirurgia por vídeo, laparoscópica, o médico realiza três pequenas incisões no abdômen: duas para pinças que posicionam o órgão e uma para a câmera.

Com a câmera, o cirurgião visualiza a região, recoloca os órgãos para dentro do anel herniário e aproxima as bordas do defeito. Em seguida, insere a tela feita de polipropileno — um material sintético que não é totalmente absorvido, mas se integra ao tecido local — para cobrir a abertura.

Ficam três pequenas cicatrizes.

Além da laparoscopia, a cirurgia pode ser feita por procedimento aberto, ainda o mais comum.

Na laparoscopia, usa-se anestesia geral, insufla-se gás para criar espaço e manuseia-se instrumentos delicados; essa técnica tende a causar menos dor e acelerar a recuperação, permitindo retorno mais rápido às atividades.

Por outro lado, o custo é maior e o procedimento mais complexo.

A cirurgia aberta é mais barata e pode usar anestesia local, porém costuma causar mais dor e exige recuperação mais longa.

A escolha do método ideal deve ser feita com o médico, levando em consideração o tipo de hérnia e o perfil do paciente.

Créditos: saude.abril

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