PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, por desrespeito a medidas cautelares
Na manhã desta sexta-feira (2/01), a Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão preventiva contra Filipe Martins, que foi assessor especial para assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ordem veio pela determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vinculada a investigações sobre uma trama golpista iniciada após as eleições de 2022.
Martins foi detido em sua residência em Ponta Grossa (PR). Antes da prisão preventiva, ele já cumpria medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento, estando em prisão domiciliar desde o último sábado (27/12), quando a PF cumpriu o primeiro mandado domiciliar.
A prisão preventiva foi decretada após o suposto descumprimento de uma dessas medidas. De acordo com o ministro Moraes, Martins realizou uma pesquisa no LinkedIn, desrespeitando a proibição de utilizar redes sociais que lhe havia sido imposta.
A decisão do ministro afirma: “Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social”.
Em dezembro, Filipe Martins foi sentenciado a 21 anos de prisão por sua participação na trama golpista que buscava obstruir a transição democrática após a derrota de Bolsonaro. Ele integrava o chamado núcleo 2 da investigação e cumpria as cautelares em sua residência em Brasília.
A defesa, representada pelo advogado Jeffrey Chiquini, informou que as redes sociais do ex-assessor foram usadas pelos próprios advogados e afirmou que irá recorrer da decisão. Alegam que a conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva ocorreu de forma intempestiva, sem justificativas processuais claras, em um período de recesso e festas de fim de ano.
As investigações envolvendo Martins fazem parte de operações mais abrangentes, como a Operação Tempus Veritatis, deflagrada em fevereiro de 2024, que apura tentativa de subversão do Estado democrático após a eleição presidencial de 2022.
A decisão recente do STF é uma continuidade das medidas tomadas nos últimos meses, que incluem a prisão de outros condenados no mesmo processo. Também considerou episódios como a tentativa frustrada de fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, ocorrida em dezembro de 2025.
Créditos: Correio Braziliense