TRE-RN determina remoção de pesquisa por suspeita de viés contra Allyson Bezerra

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte decidiu nesta quarta-feira, 8, que uma pesquisa eleitoral seja retirada do ar após detectar indícios de perguntas tendenciosas contra o pré-candidato ao Governo, Allyson Bezerra (União).
O levantamento, feito pelo Instituto Media, foi divulgado em 29 de março pelo portal O Potengi e replicado por outros veículos. A decisão liminar foi proferida pelo juiz Daniel Cabral Mariz Maia, relator do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), após representação do partido Republicanos, aliado de Allyson no estado.
O magistrado observou que a pesquisa continha perguntas relacionadas a denúncias e uma operação da Polícia Federal contra o pré-candidato, sem questionamentos semelhantes para os demais avaliados no levantamento. Isso indicaria possível indução a respostas negativas apenas para Allyson.
De acordo com a decisão, essa prática compromete a neutralidade da pesquisa, pois apresenta aos entrevistados um conteúdo que pode prejudicar exclusivamente a imagem do pré-candidato. Segundo o juiz, isso pode influenciar a opinião dos eleitores.
A Justiça Eleitoral também avaliou que o levantamento pode representar propaganda eleitoral antecipada negativa, proibida antes do início oficial da campanha. Tal irregularidade ocorre quando se divulga conteúdo que prejudica a imagem de pré-candidatos ou incentiva indireta rejeição.
Além disso, o juiz apontou que a metodologia pode inviabilizar a validade do registro da pesquisa, pois a legislação requer critérios técnicos e imparciais para pesquisas eleitorais. Caso haja comprovação de viés, a pesquisa perde eficácia jurídica e pode acarretar sanções.
O magistrado considerou o risco de que a continuidade da divulgação do material irregular prejudique a imagem de Allyson e o cenário eleitoral. Por isso, ordenou a suspensão imediata da divulgação em todos os meios, com multa de R$ 10 mil por cada veiculação irregular.
Foram citadas as empresas responsáveis pela execução e divulgação da pesquisa para apresentarem defesa. Depois, o caso seguirá para análise da Procuradoria Regional Eleitoral e julgamento.
A pesquisa, registrada sob protocolo RN-07240/2026, ouviu 2 mil eleitores entre 23 e 26 de março, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
O Instituto Media declarou em nota que respeitou a legislação eleitoral e as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral na elaboração do levantamento. A empresa afirmou que os temas abordados são de conhecimento público e negou intenção de propaganda negativa antecipada contra Allyson Bezerra.
O instituto afirmou ainda que acata a decisão da Justiça Eleitoral, adotando medidas para a retirada dos conteúdos apontados, e pediu que os veículos façam o mesmo. A nota reforça o compromisso com ética, transparência e rigor técnico nas pesquisas, permanecendo disponível para esclarecimentos adicionais.
Créditos: Agora RN