Economia
07:25

Gasolina na Refinaria de Guamaré sobe R$ 0,20 e acumula alta de 68% no RN

Gasolina na Refinaria de Guamaré sobe R$ 0,20 e acumula alta de 68% no RN

A Brava Energia, atual responsável pela Refinaria Clara Camarão em Guamaré, aumentou o preço da gasolina A nesta quinta-feira (21). O valor do litro subiu R$ 0,20 em relação à semana anterior, passando de R$ 4,02 para R$ 4,22.

Essa elevação confirma uma tendência progressiva de alta nos preços na refinaria, que acumulou um aumento total de R$ 1,71 em 91 dias, o que corresponde a um acréscimo de 68,12% desde fevereiro.

No início da noite do mesmo dia, uma reportagem da TRIBUNA DO NORTE verificou preços em vários postos de Natal e constatou que os valores por litro não tinham sido alterados, situando-se entre R$ 6,79 e R$ 7,02 nas zonas Leste e Sul da cidade.

Enquanto o preço do diesel A S500 permaneceu estável, cotado a R$ 4,98 no formato EXA e R$ 4,99 na modalidade LCT, o aumento acelerado da gasolina, que estava a R$ 2,51 em 19 de fevereiro, preocupa a economia no Rio Grande do Norte.

Por se tratar de reajuste na gasolina A antes da mistura obrigatória com etanol anidro e dos impostos, o impacto no preço final nos postos dependerá da reposição dos estoques pelas distribuidoras. No entanto, especialistas e representantes do setor aguardam um reflexo inevitável nos custos de logística, frete e no bolso dos consumidores.

Maxwell Flor, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos), explicou que o reajuste valeria para vendas feitas a partir de quinta-feira pela refinaria às distribuidoras, que abastecem os postos. Ele destacou que o repasse do aumento depende da renovação dos estoques e não há como prever o quanto ou se o reajuste será repassado aos preços dos combustíveis nas bombas.

Além disso, o etanol anidro, abastecido em parte por outras regiões brasileiras devido à entressafra local, também influencia o preço final. Flor enfatizou que a carga tributária é um componente significativo: o ICMS representa R$ 1,57 e os impostos federais quase R$ 0,70 em cada litro abastecido.

Em relação aos impactos econômicos, o professor de Economia da UFRN Breno Roos comentou que o aumento superior a 68% na refinaria onera ainda mais o preço final, já que a unidade funciona apenas como terminal de descarga e armazenamento de derivados importados, sujeitando-se às variações do mercado internacional, dólar, tributos e fretes, diferentemente das refinarias da Petrobras.

O economista Helder Cavalcanti acrescentou que o mercado do petróleo e a cotação do dólar seguem pressionados por fatores geopolíticos, o que traz volatilidade e pode manter os preços elevados ou estabilizá-los nas próximas semanas, dependendo das tensões internacionais.

Cavalcanti ponderou que o etanol pode ajudar a amenizar o impacto das altas da gasolina, embora atualmente seu efeito não seja suficiente para compensar os reajustes expressivos acumulados na refinaria.

Créditos: Tribuna do Norte

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