Economia
21:16

Vendas de carros chineses disparam no Brasil e pressionam preços

Vendas de carros chineses disparam no Brasil e pressionam preços

A importação de automóveis da China para o Brasil dobrou no primeiro semestre de 2026, com 140,8 mil emplacamentos, contra 71 mil no mesmo período de 2025, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Montadoras chinesas como BYD e GWM, que fabricam no Brasil, tiveram aumento proporcional nas vendas.

Essas marcas conquistam consumidores principalmente com carros eletrificados a preços competitivos e a promessa de economia no combustível. Em resposta, montadoras nacionais e concessionárias passaram a oferecer descontos ampliados e bônus na troca de usados por veículos zero-quilômetro, o que provocou queda nos preços de seminovos.

Lojas no Rio de Janeiro apresentam modelos, sobretudo SUVs, com valores abaixo da Tabela Fipe. A Toyota, por exemplo, dá bônus de até R$ 40 mil na troca, e o preço do Yaris Cross XR caiu de R$ 149.990 para R$ 139.900. O mesmo padrão se verifica em outras marcas como Honda, Volkswagen e Fiat, que também aplicam descontos e bônus variados.

As montadoras tradicionais demonstram preocupação com a expansão chinesa e têm solicitado maior proteção do governo. A BYD monta veículos pré-fabricados importados na Bahia e encerrou o semestre com alta de 107% nas vendas no Brasil, totalizando 99.029 unidades, quase alcançando o desempenho anual de 2025. A GWM, instalada em São Paulo, dobrou suas vendas para 35.218 unidades no semestre.

Modelos chineses atraem especialmente motoristas de aplicativos e taxistas, beneficiados pelo programa Move Brasil, que oferece crédito para híbridos e elétricos até R$ 150 mil. Segundo especialistas, o mercado nacional se reposiciona diante da competitividade chinesa, o que provoca desvalorização mais acentuada dos usados e seminovos.

Lojas de usados no Rio relatam estoques cheios e vendas difíceis devido aos preços baixos dos veículos chineses e as altas taxas de juros. Vendedores afirmam que o mercado nunca esteve tão desafiador, com necessidade de grandes descontos para fechar negócios.

Recentemente, o governo incluiu seminovos elétricos e híbridos flex no programa Move Brasil, até R$ 150 mil, o que pode ajudar a tornar as prestações mais acessíveis e estimular as vendas. Enquanto isso, revendedoras têm reduzido avaliações para manter margens diante dos descontos.

Especialistas destacam que a indústria chinesa, com produção verticalizada, aposta na exportação para países como o Brasil devido à forte competição interna e redução da rentabilidade doméstica. Dados do Conselho Empresarial Brasil-China indicam que carros eletrificados já representam 15% das vendas da China ao Brasil, com crescimento expressivo nas importações de híbridos plug-in e elétricos.

Montadoras brasileiras solicitam barreiras tarifárias semelhantes às adotadas na Europa e EUA, porém as chinesas que se instalam no país têm obtido benefícios fiscais, como cotas adicionais de importação com alíquota zero para kits pré-fabricados por seis meses a partir de julho de 2026.

Diante desse cenário, as montadoras nacionais têm buscado reduzir preços para enfrentar a concorrência dos chineses, caracterizando uma intensa disputa comercial. A Anfavea elevou sua projeção de vendas para mais de 3 milhões de veículos em 2026, com produção nacional estimada em 2,8 milhões, o melhor resultado desde 2019.

Apesar do crescimento, o presidente da Anfavea demonstrou preocupação com o avanço dos eletrificados importados por meio de incentivos fiscais, afirmando que a indústria nacional teria resultados melhores sem essa concorrência. Assim, o mercado automotivo brasileiro passa por uma reestruturação diante da forte ascensão dos veículos chineses eletrificados.

Créditos: O Globo

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