Saúde
09:04

Bolsonaro passa por cirurgia eletiva de hérnia inguinal bilateral

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia eletiva de hérnia inguinal bilateral nesta quinta-feira (25), após ter sido internado no dia anterior. O procedimento foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, depois de uma avaliação médica feita pela Polícia Federal, que recomendou a cirurgia para evitar o agravamento do quadro.

A hérnia inguinal ocorre quando uma porção do intestino escapa por uma fraqueza na parede abdominal na região da virilha. Quando isso acontece dos dois lados, recebe o nome de hérnia inguinal bilateral. Essa condição pode causar inchaço, dor ou desconforto, especialmente ao realizar esforços, tossir ou ficar em pé por longos períodos, embora algumas vezes não manifeste sintomas.

A fragilidade na parede abdominal pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida, especialmente após cirurgias abdominais, principalmente as emergenciais. A parede abdominal é estruturada em camadas, incluindo pele, gordura, musculatura e uma membrana resistente chamada aponeurose, que protege as vísceras internas. Por trás dela, está o peritônio, que reveste e lubrifica o interior do abdômen, permitindo o movimento dos intestinos.

Quando essas camadas são rompidas, por cirurgias ou traumas, a cicatrização pode causar aderências que tornam o local mais rígido, facilitando a projeção do intestino pela parede abdominal, o que caracteriza a hérnia. Em alguns casos, a alça intestinal fica presa nesse espaço, situação chamada encarceramento.

Para corrigir a hérnia, a cirurgia pode ser realizada por videolaparoscopia ou cirurgia aberta, dependendo do caso e do histórico do paciente. O objetivo é recolocar o intestino no lugar certo e reforçar a parede abdominal, geralmente com o uso de tela de suporte. Após a operação, o repouso relativo é recomendado por aproximadamente uma semana, com cerca de 30 dias sem esforço físico intenso.

Sobre os episódios de soluços persistentes relatados por Bolsonaro, os médicos assinalaram que o procedimento para bloqueio do nervo frênico, feito com anestesia local e guiado por ultrassom, é indicado para casos em que os soluços não respondem a tratamentos convencionais. No entanto, especialistas esclarecem que a hérnia inguinal não tem relação direta com soluços, que podem estar ligados a refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato — uma condição diferente, onde parte do estômago sobe ao tórax, irritando o esôfago e estruturas próximas ao diafragma.

O cirurgião Ricardo Katayose compara a hérnia a uma porta que se abriu em um ponto fragilizado da parede abdominal, e a cirurgia consiste em fechar essa porta para garantir a segurança do órgão interno. Por fim, ele destaca que as hérnias inguinal e de hiato envolvem deslocamentos de tecidos em regiões distintas do corpo e apresentam causas e consequências diferentes.

Créditos: g1

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