Bolsonaro será operado para corrigir hérnia inguinal bilateral, explica condição
O ex-presidente Jair Bolsonaro será internado nesta quarta-feira (24) para realizar, no dia seguinte, uma cirurgia eletiva para correção de hérnia inguinal bilateral.
A cirurgia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após avaliação médica da Polícia Federal que apontou a necessidade da intervenção para evitar agravamento do quadro.
A hérnia inguinal, também chamada de hérnia na virilha, ocorre quando os tecidos internos do abdômen saem por um ponto fraco da parede muscular abdominal, formando um abaulamento. Quando essa condição afeta os dois lados, é classificada como bilateral.
Essa hérnia bilateral pode causar inchaço, dor ou desconforto, principalmente ao esforço físico, tossir ou permanecer em pé por longos períodos, embora às vezes não apresente sintomas.
Os peritos ressaltaram que não há indicação médica de emergência para a cirurgia.
Além disso, avaliando a queixa principal de soluços persistentes do ex-presidente, os peritos indicaram que o bloqueio do nervo frênico, procedimento que reduz temporariamente a atividade do nervo que controla o diafragma, é adequado e deve ser realizado o mais breve possível. Este procedimento é feito com anestesia local, geralmente guiado por ultrassom.
A hérnia inguinal unilateral ocorre quando parte do intestino passa por uma abertura na parede abdominal da virilha, associada a enfraquecimento local. Segundo o cirurgião Ricardo Katayose, o abdômen é formado por camadas distintas, incluindo pele, gordura, musculatura e uma membrana rígida chamada aponeurose que protege as vísceras.
O peritônio, uma película fina sob a aponeurose, permite o movimento do intestino sem atrito. Quando essas camadas são rompidas, como em cirurgias anteriores ou traumas, formam-se cicatrizes internas denominadas aderências, que podem prender o intestino e enfraquecer a aponeurose.
Esse enfraquecimento facilita a saída do intestino para fora da cavidade abdominal, podendo acontecer o encarceramento, quando a alça intestinal fica presa e não retorna ao abdômen.
No caso do ex-presidente, múltiplas cirurgias e cicatrizes internas tornam a região abdominal rígida, afetando a circulação intestinal e contribuindo para sintomas como os soluços persistentes.
O trânsito intestinal prejudicado pode gerar reflexos que afetam o diafragma, onde o soluço é desencadeado.
A correção da hérnia pode ser realizada por videolaparoscopia, que utiliza uma câmera para soltar aderências, recolocar o intestino e aplicar uma tela para reforço, ou por cirurgia aberta, preferida em casos complexos, permitindo manipulação manual e reforço muscular.
De modo geral, a cirurgia é considerada simples, com internação de um dia e alta no dia seguinte, seguido por repouso relativo e restrição de esforços por cerca de 30 dias.
De acordo com o cirurgião Pedro Bertevello, os soluços do ex-presidente não estão diretamente ligados à hérnia inguinal, mas podem decorrer da hérnia de hiato que ele apresenta, na qual parte do estômago sobe para o esôfago, causando refluxo e irritação que podem irritar o diafragma e provocar soluços.
Ambas as hérnias — inguinal e de hiato — são deslocamentos de tecidos em áreas distintas do corpo, com consequências diferentes.
O ex-presidente terá transporte hospitalar discreto e a Polícia Federal ficará na porta do quarto, conforme determina o ministro Moraes. Apenas Michele Bolsonaro foi autorizada a acompanhar o procedimento.
Créditos: g1