Conar suspende publicidade de apostas na CazéTV durante a Copa do Mundo 2026

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) ordenou, em caráter liminar, a suspensão de propagandas de casas de apostas exibidas durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026 na CazéTV. A decisão, tomada em 26 de junho, busca interromper imediatamente anúncios que possam violar regras de publicidade responsável, evitando estímulos a apostas impulsivas e possíveis confusões para o consumidor.
A medida foi adotada antes da abertura de um processo formal no Conselho de Ética do Conar, motivada pela necessidade de impedir a continuidade de práticas contrárias ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBAP) enquanto o caso é avaliado.
O foco da apuração são ações de merchandising feitas durante as partidas, nas quais narradores e comentaristas apresentavam ofertas de apostas em tempo real, destacando as “odds” — números que indicam a probabilidade estimada de um evento ocorrer e o potencial de ganhos — para lances específicos dos jogos.
O Conar investiga se esse formato pode criar uma percepção errônea sobre as reais chances de ganho e incentivar apostas impulsivas. No despacho, o conselheiro relator Luiz Celso de Piratininga Jr. apontou que a associação entre comentários esportivos e apostas imediatas pode comprometer a clareza da comunicação comercial, confundindo o consumidor. O documento também indica possíveis falhas na identificação das inserções como publicidade, dificultando a diferenciação entre conteúdo editorial e patrocinado.
A liminar afeta a CazéTV e as casas de apostas Betnacional, Bet365 e KTO, que serão notificadas pelo Conar. As empresas têm cinco dias úteis para informar as medidas tomadas para adequar suas campanhas às normas, incluindo ações para proteger o público infantojuvenil.
Embora o Conar não aplique multas ou sanções legais, pode recomendar a suspensão, modificação ou retirada de campanhas publicitárias. Suas decisões costumam ser amplamente acatadas pelas empresas, garantindo a eficácia da autorregulamentação.
Créditos: Tribuna do Norte