Saúde
07:47

Desafios e avanços da maternidade após os 40 anos no Rio Grande do Norte

Desafios e avanços da maternidade após os 40 anos no Rio Grande do Norte

O relógio biológico feminino hoje disputa atenção com metas profissionais, independência financeira e planos pessoais. Esse equilíbrio tem levado cada vez mais mulheres a adiarem a maternidade para os 35 anos ou mais, chegando a esse momento com maior estabilidade pessoal e profissional. Por outro lado, elas lidam com cobranças biológicas e inseguranças, o que alerta especialistas para os cuidados necessários e os impactos emocionais nessa faixa etária.

Segundo levantamento do IBGE, no Rio Grande do Norte, o número de mulheres que engravidam entre 35 e 44 anos quase dobrou em dez anos. Em 2014, mães entre 30 e 39 anos eram 8,87% do total, índice que subiu para 15% em 2024. Já entre 40 e 44 anos, o percentual passou de 2,29% para 4,18% no mesmo período.

Aos 48 anos, Elza Tolentino experimenta pela primeira vez a correria da maternidade. Após anos adiando o sonho para priorizar a carreira militar, ela e o marido enfrentaram um longo processo de tratamento para engravidar, que durou três anos e incluiu fertilização in vitro. A persistência trouxe duas filhas, Carolinne e Catharina, que hoje fazem parte da rotina de Elza, que encara essa experiência com maturidade e estabilidade.

Essa realidade de adiar a maternidade deixou de ser exceção para muitas mulheres que querem primeiro garantir estabilidade financeira, profissional e pessoal. A enfermeira obstétrica Maíra Ramos, aos 41 anos, está grávida no primeiro trimestre após priorizar a carreira e iniciar tentativas planejadas no fim de 2025. Ela se surpreendeu com o teste positivo e valoriza o momento de viver a maternidade pessoalmente, apesar de já conhecer o universo das gestantes na profissão.

A medicina reprodutiva ampliou as possibilidades para gravidez em idade avançada. A ginecologista Adriana Leão destaca que não existe um único tempo para a maternidade: algumas histórias acontecem cedo, outras após os 40 anos, com mais maturidade e significado. Contudo, essa faixa etária inclui riscos maiores, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional, prematuridade, abortamento espontâneo e alterações cromossômicas.

Embora técnicas como fertilização in vitro e congelamento de óvulos ajudem a preservar a fertilidade, a capacidade de engravidar diminui com a idade, e maiores desafios acompanham a concepção e gestação conforme o tempo avança. A ginecologista Maria Luisa Capriglione ressalta que exames genéticos embrionários, como a biópsia antes da implantação, podem excluir embriões com alterações genéticas, aumentando a segurança. O congelamento de óvulos é outra alternativa para quem ainda não decidiu engravidar, preservando a fertilidade para o futuro.

Além dos aspectos físicos, o lado emocional também é importante. A enfermeira Anny Aquino, de 32 anos, tenta engravidar há quase dois anos e relata o desgaste emocional dessa espera, mesmo conhecendo bem a área da saúde. Para muitas mulheres, a pressão social e o relógio biológico aumentam a ansiedade, sentimento que a psicóloga perinatal Magna Magalhães associa a culpa, frustração e comparações sociais comuns nesse processo.

Magna explica que essa pressão começa cedo, com a associação da feminilidade ao papel materno e a sensação urgente do tempo passando. Muitas mulheres se responsabilizam pela infertilidade antes mesmo de exames médicos, tornando essencial o acompanhamento terapêutico para lidar com o sofrimento decorrente das tentativas frustradas, além do fortalecimento da qualidade de vida.

Créditos: Tribuna do Norte

Notícias relacionadas

Modo Noturno