Idosos que caem com batidas na cabeça devem ser observados por até 24h, alertam especialistas
Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que idosos que sofrem quedas com batida na cabeça, como no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, precisam de avaliação médica imediata e permanecer em observação por 12 a 24 horas, mesmo que o trauma aparente seja leve e não haja ferimentos visíveis.
Segundo Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, ele caiu enquanto dormia na madrugada de terça-feira (6). Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro, após tentativa de violar tornozeleira eletrônica.
Michelle informou que não se sabe o horário exato da queda e que Bolsonaro não lembra quanto tempo ficou desacordado. Desde o incidente, cerca de 6 horas e 36 minutos se passaram sem que ele realizasse exames para verificar possíveis traumas ou danos neurológicos. Ela mencionou que a queda ocorreu devido a uma crise não especificada, lembrando que ele sofre de soluços raros mesmo após três cirurgias.
Eduardo Cruz, geriatra e diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), afirmou que é improvável que soluços intensos provoquem quedas, mas medicamentos usados para tratar soluços podem retardar a resposta corporal em desequilíbrios, aumentando o risco de queda. Segundo ele, tais medicamentos são anticonvulsivantes e sedativos que alteram a sensibilidade dos nervos responsáveis pelo controle do diafragma.
A Polícia Federal declarou que Bolsonaro foi atendido após relatar a queda à equipe, com ferimentos leves e sem necessidade de encaminhamento hospitalar.
A defesa do ex-presidente suspeita de traumatismo e pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes sua transferência para hospital, pedido que foi negado.
O Hospital DF Star, onde Bolsonaro já fez cirurgias, informou não ter atendido o ex-presidente na data do incidente.
Vanessa Milanese, neurocirurgiã e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, destacou que em traumatismos cranianos leves a prioridade é o rápido acesso a médicos e monitoramento, independentemente do local. Ela recomenda observação clínica enquanto houver sintomas relevantes.
Milanese ressalta que traumas leves em idosos requerem atenção maior. Ela explicou que traumatismo craniano ocorre por impacto na cabeça com potencial lesão cerebral mesmo sem sinais externos. Traumas leves apresentam sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea, sonolência leve ou confusão momentânea. Casos moderados ou graves incluem sonolência intensa, dificuldades na fala, perda de força, desmaios, convulsões ou piora neurológica progressiva.
Alguns sintomas podem aparecer horas ou semanas após o trauma, como dores prolongadas, alterações de equilíbrio, memória, atenção, humor e crises convulsivas. Nesses casos é indicado acompanhamento com neurologista, neurocirurgião e equipe de reabilitação, especialmente se houver piora, novas quedas ou dificuldades nas atividades diárias.
Cruz, da SBGG, recomenda medidas para evitar quedas em idosos: ambiente bem iluminado, piso limpo de obstáculos, calçados fechados e uso de campainha para quem necessita pedir ajuda. Ele observa que andador só deve ser usado com alterações de equilíbrio ou marcha e treino fisioterapêutico prévio.
Essas orientações visam garantir segurança e responder rapidamente a possíveis complicações em idosos após quedas com traumas na cabeça.
Créditos: Folha de S.Paulo