Protestos contra PEC da Blindagem ocorrem em várias capitais e no exterior
Até o início da tarde desta segunda-feira, milhares de manifestantes participaram de protestos contra a PEC da Blindagem em pelo menos nove capitais brasileiras, além de ações no exterior.
Os atos contam com a presença de manifestantes, artistas e movimentos sociais alinhados à esquerda, que protestam contra a aprovação, ocorrida nesta semana, de uma Proposta de Emenda à Constituição que dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares.
Além disso, os manifestantes também criticam a aprovação da urgência do projeto que pretende conceder anistia a condenados por tentativa de golpe, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão.
No protesto realizado em João Pessoa, os participantes entoaram gritos contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, filiado ao Republicanos e representante do estado.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) esteve presente em São Luís e afirmou que, sem a mobilização popular, a PEC poderia ter sido aprovada plenamente. Segundo ela, todos que cometem crimes devem estar sujeitos à lei sem exceção de uma casta superior.
No Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) deverá ser o relator do projeto, posicionando-se contra a proposta e anunciando um relatório recomendando a rejeição, por considerar os prejuízos que a PEC causaria aos brasileiros.
Em Brasília, a frente do Museu da República foi palco de manifestações, contando com a participação do deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF), que qualificou a PEC como uma vergonha nacional e destinada a blindar o Congresso.
Cartazes manifestaram pedidos contra anistias e pela cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos colaborando com membros do governo de Donald Trump em negociações relacionadas a sanções ao Brasil e anistia para aliados ligados a tentativas de golpe.
Na capital baiana, Salvador, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), o ator Wagner Moura e a cantora Daniela Mercury participaram do protesto. Mercury realizou uma apresentação vestida com uma bandeira do Brasil, enquanto os presentes gritavam contra a anistia.
Segundo Portugal, tanto a PEC quanto o projeto de anistia configuram “verdadeiras excrescências”. Cartazes em São Luís reforçavam a rejeição à anistia e à blindagem.
Em Belo Horizonte, o protesto ocorreu na Praça Raul Soares e contou com a presença da cantora Fernanda Takai, que se manifestou contra a proposta de anistia.
Manaus teve atos com cartazes dizendo “Não à PEC da Blindagem” e outros com ilustrações que criticavam o Congresso Nacional. Os manifestantes cantaram frases contra a PEC considerá-la favorável apenas a criminosos.
Em Belém, na Praça da República, movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) participaram do ato.
No protesto em Natal, cartazes clamavam por mais respeito ao povo e também rejeitavam o projeto de anistia.
Em Maceió, uma faixa acusava o Congresso de ser inimigo do povo, mencionando ainda o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). O ato ocorreu na orla da cidade.
Além das manifestações no Brasil, atos foram realizados em Londres e Berlim. Na Alemanha, manifestantes também protestaram contra Hugo Motta.
Os protestos refletem a mobilização contra as tentativas legislativas de proteger parlamentares de processos criminais e conceder anistia a condenados por tentativas de golpe, causas que têm mobilizado críticas em diferentes regiões e segmentos da população.
Créditos: UOL Notícias