Derrota de Lula no Senado começou por escolha político-pessoal equivocada

O Senado venceu o presidente Lula por motivos considerados negativos, antecipando uma disputa política que afetou uma decisão institucional e beneficiou o presidente do Senado com interesses específicos.
Lula escolheu mal seu indicado para o STF. Havia um forte apelo por uma mulher e diversos juristas qualificados para a vaga, pois o Supremo precisa de diversidade e não pode ser dominado por homens brancos, com apenas uma mulher que em breve vai atingir a idade limite para o cargo.
O ministro Jorge Messias não possui um destaque expressivo no saber jurídico, diferentemente do ministro Flávio Dino. Messias foi escolhido por lealdade pessoal, um padrão repetido por Lula, como ocorreu também com Cristiano Zanin, seu advogado pessoal, aprovado anteriormente. Isso restringiu as opções para indicados similares.
Ao apresentar Messias em novembro passado, Lula mostrou falta da habilidade política que normalmente possui. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, buscava ampliar seus poderes e pretendia escolher o novo ministro, apoiando Rodrigo Pacheco.
Lula não comunicou previamente a Alcolumbre sobre Messias, provocando uma reação negativa do presidente do Senado, que não recebeu Messias em seu gabinete após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, algo inédito.
Ainda repercute a declaração de Alcolumbre de que o processo seria arquivado e comunicado à Presidência da República.
O bolsonarismo celebrou essa derrota, mas ela não define o resultado da eleição que inicia nesta quarta-feira, 29 de abril, e seguirá por seis meses. A decisão final é do país, não de senadores envolvidos em interesses próprios.
Por Miriam Leitão no Globo.
Créditos: Tribuna do Norte