Lula destaca rejeição popular à impunidade e cobra medidas do Congresso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as manifestações contrárias à PEC da Blindagem e à anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro expressam a rejeição da população à impunidade. Os protestos reuniram mais de 80 mil pessoas em São Paulo e Rio de Janeiro, contando com a participação de diversos artistas.
Lula cobrou do Congresso a aprovação de medidas que tragam benefícios ao povo e ressaltou que a população não deseja nem impunidade nem anistia para os responsáveis pelos eventos de 8 de janeiro.
Movimentos de esquerda e artistas organizaram manifestações em várias capitais brasileiras, criticando o Congresso Nacional por aprovar na Câmara a PEC da Blindagem, que dificulta ações penais contra parlamentares, e por negociar uma anistia aos envolvidos na tentativa golpista. Os atos chegaram a mobilizar cerca de 42 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, e 41,8 mil na praia de Copacabana, no Rio, conforme dados do Monitor do debate político da USP.
Os protestos ocorreram em ao menos 22 capitais durante todo o domingo, com forte presença de bandeiras, faixas e camisetas de partidos como PT, PCdoB e PSOL. Muitos manifestantes entoavam gritos contra a anistia e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em Copacabana, a mobilização teve foco em um “ato musical” liderado por artistas renomados como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, que evitaram a presença política no trio elétrico principal, embora parlamentares estivessem presentes em um trio menor e fizeram discursos.
A manifestação reuniu músicas de cunho político e críticas à PEC da Blindagem, considerada por alguns artistas “a maior cara de pau da história”. O público acompanhou entusiasticamente canções como “Como nossos pais”, “Olhos coloridos”, “Brasil” e “Cálice”.
Em São Paulo, o protesto começou no MASP e contou com faixas, adesivos e a participação de sindicatos, partidos e movimentos sociais, totalizando cerca de 42,3 mil pessoas. Houveram manifestações criativas, como um boneco do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta convidando o público a xingá-lo e um homem praticando slackline enquanto exibia um cartaz crítico.
Diversos políticos de partidos de esquerda marcaram presença e discursaram, reforçando a rejeição à anistia e à PEC da Blindagem. Deputados como Guilherme Boulos destacaram a mobilização como uma retomada da atuação da esquerda nas ruas e um recado contra a aprovação de medidas que favorecem Bolsonaro e seus aliados.
Protestos ocorreram também em outras cidades como Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Porto Alegre, com a participação de artistas e lideranças políticas. Em muitos locais, os manifestantes exibiram cartazes e cantaram músicas emblemáticas, reafirmando a defesa da democracia e a rejeição à anistia.
Nas capitais, a mobilização envolveu não apenas movimentos sociais, mas também parlamentares e artistas que uniram forças contra o projeto do Congresso que dificulta a responsabilização de parlamentares e a possível anistia de envolvidos nos ataques ao Estado democrático.
Créditos: O Globo