Trump dedica tempo raro para mencionar Brasil e Lula na ONU em 2025
Antes do discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU em 23 de setembro de 2025, o Brasil havia sido citado apenas duas vezes por presidentes dos Estados Unidos na reunião anual da organização desde o início do século.
O blog analisou os discursos dos presidentes americanos na Assembleia Geral da ONU e constatou que as referências ao Brasil são incomuns, e menções ao presidente brasileiro, ainda que indiretas, são inéditas durante esse período.
Trump dedicou cerca de um minuto e meio de seu discurso a Lula e ao Brasil. Durante o evento, ele revelou ter se encontrado com o líder brasileiro nos bastidores, adiantando a possibilidade de um encontro na semana seguinte, que segundo o chanceler Mauro Vieira, deve ocorrer por vídeo ou telefone. O republicano chamou Lula de “bom homem”, afirmou ter gostado dele e destacou uma “excelente química” em seu breve encontro de 39 segundos.
“Eu estava entrando na Assembleia enquanto o líder do Brasil saia. Nos vimos e nos abraçamos”, contou Trump. “Ele gostou de mim e eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem gosto. Quando não gosto, não faço”, acrescentou.
Nas últimas 24 edições da Assembleia Geral, apenas Barack Obama, em 2012, e George W. Bush, em 2003, haviam mencionado o Brasil, sempre de forma breve e em contextos muito diferentes do discurso de Trump. As citações não abordavam retaliações e não mencionavam diretamente os presidentes em exercício, Dilma Rousseff e Lula.
Obama destacou o Brasil como exemplo de redução da pobreza e crescimento econômico respeitando direitos humanos e a legislação internacional. “Do Brasil à África do Sul, da Turquia à Coreia do Sul, passando pela Índia e Indonésia, povos de diferentes raças, religiões e tradições tiraram milhões da pobreza enquanto respeitavam os direitos de seus cidadãos”, disse o democrata.
Bush citou o Brasil ao lamentar o assassinato do diplomata Sérgio Vieira de Mello durante um atentado ao escritório da ONU em Bagdá, em 2003. Vieira de Mello, indicado pela ONU para atuar no Iraque com aval de Bush, havia colaborado com o presidente americano apesar de divergências públicas.
“No mês passado, terroristas atacaram a ONU em Bagdá. Entre as vítimas estava Sérgio Vieira de Mello, um homem corajoso do Brasil que ajudou pessoas em diversas regiões do mundo”, disse Bush, concluindo que os EUA se juntavam aos esforços para honrar sua memória.
Trump se diferencia por seu tom bélico e imprevisível, criticando publicamente antecessores, como Joe Biden. Seu discurso na Assembleia teve 55 minutos, quase quatro vezes o limite estipulado. Ao abordar tarifas contra o Brasil, ele também quebrou protocolos diplomáticos ao inovar em sua intervenção.
Créditos: O Globo