Política
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Lula fez aceno estratégico a Trump na ONU para conter narrativas bolsonaristas

O gesto do presidente Lula em direção a Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU não foi improvisado, mas resultado de uma estratégia diplomática e política cuidadosamente planejada, conforme afirmou a colunista Daniela Lima, em sua participação no UOL News – 2ª edição, do Canal UOL.

Segundo Daniela, o governo brasileiro organizou o aceno para atender pressões de setores empresariais e conter as narrativas adversárias ligadas ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que evitou questões polêmicas na pauta para viabilizar o diálogo.

Ela ressaltou que houve um trabalho intenso para que Lula fizesse um gesto explícito ao presidente dos Estados Unidos, resultado de um roteiro estudado para garantir que o gesto não fosse mal interpretado.

O chanceler Mauro Vieira comentou que a conversa entre os dois presidentes deve ocorrer por vídeoconferência, informação que foi amplamente usada nas redes sociais por aliados da família Bolsonaro para questionar a disposição do governo brasileiro em dialogar. Entretanto, o gesto de Trump na tribuna da ONU surpreendeu e foi mais significativo do que esperavam os articuladores dessa conversa.

Para evitar que mensagens distorcidas nas redes sociais prejudicassem o avanço do diálogo — que pode contribuir para redução de tarifas e sanções contra autoridades brasileiras —, foi construído um ambiente político que permitisse a Lula responder de forma clara e estratégica ao gesto de Trump.

Daniela Lima esclareceu que nada ocorreu fora de um roteiro cuidadosamente elaborado nos bastidores para não comprometer essa primeira aproximação, que foi até descrita pelo presidente americano como um “abraço”.

O objetivo dessa estratégia também foi neutralizar a narrativa bolsonarista que tenta apresentar Lula como desinteressado ou temeroso em relação ao aceno de Trump.

Além disso, a colunista Carla Araújo acrescentou que diplomatas brasileiros ainda discutem os próximos passos e formato do diálogo, enquanto uma resposta política imediata era necessária para evitar ruídos e interpretações equivocadas.

Ela explicou que a agenda da ONU ocupou totalmente o presidente Lula, e por isso, a diplomacia não considera literalmente o prazo citado por Trump de uma conversa na semana seguinte.

Na esfera política, contudo, havia a necessidade de uma resposta rápida para rebater a narrativa bolsonarista que indicava medo de Lula.

Por fim, Carla destacou que o aceno de Trump, junto ao comportamento de aliados de Bolsonaro nos EUA, pode beneficiar Lula junto à opinião pública e enfraquecer seus adversários políticos, representando uma oportunidade para o governo brasileiro avançar na relação com a Casa Branca.

Créditos: UOL Noticias

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