Barroso: “Quem teme ser preso está querendo briga, não pacificação”
Luís Roberto Barroso, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), lamentou não ter conseguido “pacificar” o país em seus dois anos à frente do tribunal e atribuiu essa dificuldade à reação das pessoas julgadas pelo 8 de Janeiro e pela tentativa de golpe.
O ministro falou em “frustração” por não ter conseguido “pacificar o país” após o 8 de Janeiro. Barroso preside o STF desde setembro de 2023 e deixa o cargo na semana que vem, para dar lugar ao ministro Edson Fachin. “O 8 de Janeiro, um volume que foi, que demorou, e o julgamento do golpe dificultaram muito em criar esse ambiente de total pacificação, porque quem teme ser preso está querendo briga, não pacificação”, afirmou ele em conversa com jornalistas nesta manhã.
Sem mencionar nomes, ele condenou comportamentos raivosos, tanto da esquerda quanto da direita.
“Seja raiva de esquerda, seja raiva de direita. A raiva, o ódio, a inaceitação do outro, é uma coisa muito ruim na vida. E eu gostaria de ter sido a pessoa que pudesse ter feito um resgate maior da civilidade no país, que é perfeitamente possível. Eu convivo aqui com o ministro André Mendonça. O ministro André Mendonça e eu temos visões muito diferentes sobre muitas coisas nessa vida. mas eu quero muito bem a ele, admiro ele, nós somos amigos.” Luís Roberto Barroso, presidente do STF
A fala do ministro ocorre em meio à pressão de bolsonaristas pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro. A Câmara discute a chamada PEC da Dosimetria, que deve atenuar as penas dos condenados por envolvimento nos atos golpistas e também reduzir a pena imposta a Bolsonaro. Ele foi punido com 27 anos e três meses de prisão por ter atuado como liderança do plano golpista.
Barroso disse acreditar que o fim do julgamento de todos os núcleos da trama golpista pode ajudar a melhorar o ambiente. Para o ministro, a conclusão das ações envolvendo os 34 denunciados pelo plano golpista deve contribuir para amenizar o clima acirrado. “O país vai se pacificar progressivamente depois que acabar o julgamento de todos os núcleos”, disse.
Barroso ainda apontou que a punição tem o objetivo de prevenir a ocorrência de novos crimes. Para ele, a decisão de julgar trama golpista foi imprescindível para encerrar os ciclos de “atraso” na história brasileira, marcada por golpes e contragolpes.
“A gente tinha que julgar [a trama golpista] para encerrar os ciclos do atraso e as pessoas saberem que, daqui para frente, ao contrário do que sempre havia acontecido, depois de um golpe vem a punição.” Luís Roberto Barroso, presidente do STF
Créditos: UOL