Política
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Disputa política marca crise do metanol entre governos Lula e Tarcísio em São Paulo

Os casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas em São Paulo intensificaram a rivalidade política entre os governos Lula (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Há divergências sobre o possível envolvimento do PCC nesses episódios. Em entrevista coletiva recente, Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, afirmou que a corporação investigará uma eventual participação do crime organizado na adulteração das bebidas.

O governador Tarcísio descartou essa hipótese, declarando em coletiva realizada duas horas após a da PF que os inquéritos estaduais apontam para suspeitos sem ligação com a facção. Guilherme Derrite, secretário estadual de Segurança Pública, também afirmou que a possibilidade de envolvimento do PCC está “completamente descartada”.

Tarcísio atribuiu a seu governo a liderança das medidas para controlar a crise por meio de uma publicação nas redes sociais, destacando que a prioridade é proteger as pessoas e evitar a repetição dos casos.

A rivalidade entre os governos Lula e Tarcísio é histórica. Recentemente, Derrite rejeitou assistência da Polícia Federal para investigar o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, elogiando a capacidade do estado para conduzir o caso.

No fim de agosto, houve um embate político em torno de operações simultâneas contra o PCC no setor financeiro e de combustíveis. Polícia Federal e Ministério Público realizaram coletivas ao mesmo tempo, com declarações contrastantes sobre o alcance das ações.

Em março, o conflito foi entre Derrite e o ministro da Justiça, Anderson Torres, sobre a eficácia do sistema de prisão e soltura dos criminosos. Derrite criticou publicamente o ministro.

Na Favela do Moinho, no centro de São Paulo, também ocorreram disputas políticas. A União cedeu o terreno para a construção de um parque sob gestão estadual, com subsídios financeiros conjuntos dos governos federal e estadual. Lula visitou a favela em junho, formalizando a solução habitacional e criticando o projeto estadual por riscos aos moradores.

Em maio, uma operação violenta da Polícia Militar para retirar moradores foi apoiada por Tarcísio e pelo prefeito Ricardo Nunes, sob a justificativa de reduzir a “cracolândia”.

Tarcísio não participou do evento com Lula no Moinho em 26 de junho, optando por agenda política em São Bernardo do Campo para entrega de moradias.

Ambos podem se enfrentar nas eleições presidenciais de 2026. Tarcísio é cotado para candidatura da direita, mas afirma que buscará reeleição em São Paulo. Lula pretende concorrer se estiver com saúde.

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Créditos: UOL

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