Política
18:04

Senador Jaques Wagner defende exterminar Hamas e critica governo Netanyahu

O senador Jaques Wagner (PT-BA), que é judeu, afirmou na terça-feira (7 de outubro de 2025) que o grupo Hamas “deve ser exterminado”. A declaração foi feita durante uma sessão solene no Senado, em homenagem às vítimas dos ataques ocorridos em 7 de outubro de 2023, em Israel. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também judeu, não participou da sessão.

Jaques Wagner, filho de Joseph Wagner e Cypa Perla Wagner, imigrantes judeus poloneses, qualificou os ataques de dois anos atrás como “covardes”. Ele destacou a importância de não confundir o Estado de Israel com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ressaltando que “O Hamas tem que ser exterminado, mas o governo de Israel, não. Hoje é um, amanhã será outro”.

O senador também criticou ações do governo Netanyahu, afirmando que “o valor de uma vida humana não deve ser hierarquizado pela crença religiosa”. Segundo ele, uma parte significativa da população israelense “não concorda com a condução da política externa” do primeiro-ministro.

Jaques defendeu o diálogo e o cessar-fogo, afirmando que “o acordo de paz está sendo feito com o Hamas” e que “só existe paz quando as partes beligerantes concordam em encontrá-la”.

Durante seu discurso, recebido com aplausos moderados e alguns murmúrios, ele alertou que o fanatismo e a incapacidade de ouvir ideias divergentes “levam a tragédias”. Também afirmou que o governo Lula age, “certo ou errado, com pensamento de energia positiva”.

O tom do discurso de Jaques foi menos agressivo do que o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, ao abrir a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, voltou a criticar Israel, afirmando que há um “genocídio” em curso na Faixa de Gaza e defendendo a criação de um Estado palestino.

Outros parlamentares fizeram manifestações mais duras contra o Hamas e em defesa de Israel. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse sentir vergonha do posicionamento do Brasil e ressaltou que “se o Hamas baixar as armas, acaba a guerra; se Israel baixar as armas, acaba o Estado de Israel”. O senador Jorge Seif (PL-SC) classificou o 7 de outubro como um “massacre frio e calculado de civis desarmados” e afirmou que “a neutralidade diante do genocídio em potencial é a escolha do opressor”.

Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), afirmou que o Brasil “se afastou de sua tradição diplomática equilibrada” e que o antissemitismo “não é sombra do passado, está vivo e tenta se infiltrar no discurso político”. Ele declarou que a política externa atual se tornou “uma inimiga sistemática de Israel” e finalizou pedindo coexistência, dizendo que “um Estado palestino só é legítimo se respeitar o Estado de Israel”.

O sobrevivente brasileiro Rafael Zimerman, do ataque ao festival de música Nova, contou a morte de amigos e as horas que passou fingindo estar morto. Ele fez um apelo direto ao presidente Lula, dizendo: “Com todo o respeito, Presidente Lula, eu não vou escrever nenhuma carta para o Netanyahu. Meu presidente é o senhor, e é ao senhor que eu peço para ouvir o povo judeu brasileiro.”

Créditos: Poder360

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