Política
14:07

Ministro Sabino insiste em ficar com Lula e enfrenta expulsão no União Brasil

O ministro do Turismo, Celso Sabino, enfrenta um processo de expulsão do União Brasil por preferir permanecer no governo do presidente Lula, mesmo contrariando seu partido, que historicamente se opõe ao PT.

Ao chegar para a reunião sobre sua expulsão, Sabino reafirmou: “Fico ao lado do presidente Lula por entender que é a melhor opção para o país”. Apesar da suspensão de 60 dias aplicada pelo União Brasil, mantém a determinação em permanecer no governo, criticando a decisão do partido e apontando os bons resultados econômicos da gestão atual como motivo para seguir.

O posicionamento irritou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato do União à Presidência. Caiado classificou a atitude de Sabino como uma “imoralidade ímpar” por estar simultaneamente no partido e apoiando Lula.

Sabino rebateu as críticas, afirmando que responderia a Caiado quando o governador atingisse 1,5% nas intenções de voto nas pesquisas presidenciais, além de chamá-lo de “traidor” e acusar-lhe falta de senso crítico.

Nesta manhã, a Executiva Nacional do União Brasil decidiu suspender Sabino. O ministro recebeu um ultimato para deixar sua pasta em 19 de setembro, indicativo para que cumprisse a determinação, o que não aconteceu.

Além do afastamento da presidência do diretório do Pará, houve intervenção nos diretórios municipais do estado, com previsão de indicação de novos nomes em até 20 dias. A expulsão deverá ser discutida ao longo de 60 dias, período no qual Sabino poderá apresentar defesa e tentar reunir votos a seu favor. A tendência, no entanto, é pela sua saída definitiva.

Enquanto suspenso, Sabino perde o comando estadual, o que restringe sua influência sobre nomeações e fundos partidários, além de ser impedido de votar em decisões partidárias nacionais, estaduais e municipais, incluindo a escolha dos candidatos para as próximas eleições.

A Executiva Nacional do União, composta por 22 membros com direito a voto, precisa de 3/5 desses votos, ou seja, 13, para efetivar a expulsão.

Em vez de romper, o ministro se aproximou cada vez mais de Lula. Eles viajaram juntos ao Pará para participarem de entregas ligadas à COP30, evento importante para a base eleitoral de Sabino. O ministro planeja disputar uma cadeira no Senado pelo Pará e a exposição pública ajudaria sua candidatura.

A permanência do ministro no governo levou o União Brasil a abrir um processo por infidelidade partidária, com o deputado Fabio Schiochet encarregado de apresentar parecer sobre o caso.

Sabino criticou a decisão do partido, considerando-a precipitada e injusta, o que intensifica a crise interna que afeta tanto os líderes do partido quanto Ronaldo Caiado.

A escolha de Sabino por Lula desrespeita as orientações da Executiva Nacional, que planeja uma aliança do União com o PP para formar a maior frente de oposição no país, além de sinalizar dificuldades para a pré-candidatura de Caiado.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recentemente foi citado numa investigação da Polícia Federal sobre o uso do mercado financeiro para lavagem de dinheiro pelo PCC, que ele nega. A situação gera ainda mais tensão política.

De forma semelhante, o Progressistas afastou o ministro dos Esportes André Fufuca da vice-presidência nacional por também manter seu cargo no governo Lula, mostrando uma linha dura dos partidos tradicionais contra ministros que permanecem na gestão petista.

Créditos: UOL

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