Hamas executa adversários em Gaza após retirada de tropas israelenses
Em Gaza, o Hamas tem arrastado seus adversários – muitos deles membros de clãs rivais – para serem executados em praça pública, com pelo menos 32 mortes confirmadas até o momento. Ironia cruel: enquanto o Exército israelense estava presente, esses indivíduos estavam relativamente protegidos. Com a saída militar israelense, resultado de um acordo que permitiu a libertação histórica de vinte reféns, o Hamas retomou o controle das ruas para se vingar.
Um vídeo amplamente divulgado mostra oito execuções, vinte pessoas foram mortas, algumas delas arrastadas por não conseguirem sequer andar. Os mortos pertencem a poderosos clãs envolvidos no contrabando e outras atividades ilícitas, considerados ameaças pelos fundamentalistas, embora em outras ocasiões cooperem com o Hamas.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tentou cooptar alguns desses clãs para formar uma alternativa ao Hamas na administração de Gaza, conforme o acordo prevê, mas a reação violenta do Hamas indica que a ameaça é real.
Os clãs perseguidos também não são diferentes em suas práticas: alguns retaliaram contra membros do Hamas após a retirada israelense, resultando em dezenas de execuções. Nas redes sociais, a hostilidade é clara, com postagens como “Não há lugar para os cães do Hamas”.
Hossan Al-Astal, líder de um clã conhecido, expressou disposição para cooperar com qualquer grupo que auxilie seu povo, incluindo um governo palestino tecnocrático coordenado por um conselho internacional e liderado por figuras como o ex-primeiro-ministro Tony Blair. Ele passou a colaborar com israelenses após fugir da prisão pelo Hamas.
A situação levanta dúvidas sobre o destino das armas e a aceitação pelo Hamas de uma possível anistia ou saída de Gaza, numa transição limitada à administração do território por um governo internacional. Atualmente, 57% da faixa de Gaza ainda está sob controle israelense.
O plano com apoio internacional, inclusive de países muçulmanos relevantes, visa impor ao Hamas a desistência do conflito, oferecendo inclusive incentivos financeiros e condições de exílio.
Conflitos internos entre palestinos não são novidade, especialmente entre Hamas e Fatah, que protagonizaram uma guerra civil em 2007 com torturas e execuções sem repercussão internacional.
A cobertura internacional tende a focar nas vítimas de Israel, com pouca atenção aos conflitos palestinos, como o caso dos torturados e mortos na Gaza recente. Questiona-se se a repercussão atual resultará em mudanças reais ou seguirá a polarização típica do conflito.
Figuras influentes no jornalismo internacional reconheceram erros em suas análises das condições dos reféns e da população de Gaza. Em meio à tensão, declarações contraditórias e agradecimentos surpreendentes, como o reconhecimento do ex-ministro da saúde do Hamas à interferência do presidente Donald Trump, indicam a complexidade do cenário.
Assim, o conflito em Gaza expõe as profundas divisões internas e os desafios para um futuro de paz e estabilidade na região.
Créditos: Veja Abril