“Todo mundo sabe o que ele fez”, diz Lula sobre prisão de Bolsonaro
O presidente Lula (PT) afirmou hoje, durante reunião com líderes do G20, que não comentaria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e destacou que “todo mundo sabe o que ele fez”, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso preventivamente pela Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Lula declarou que não comentaria a prisão de Bolsonaro: “A primeira coisa é que eu não faço comentário sobre uma decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão, ele foi julgado, ele teve todo direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação e julgamento. Então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou. E todo mundo sabe o que ele fez”.
Em resposta a comentários do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que desconhecia a prisão, Lula afirmou que o Brasil é um país soberano: “Trump tem que saber que somos um país soberano, que a gente decide. E o que a gente decide aqui, está decidido”. Trump havia dito: “O quê? Não sei nada sobre isso. Não ouvi falar. Foi o que aconteceu? É uma pena”.
Lula chegou a Joanesburgo, na África do Sul, na sexta-feira para a cúpula do G20. Como presidente do bloco em 2024, o Brasil tem participação importante na reunião, ao lado da África do Sul e dos Estados Unidos. Criado em 1999, o G20 é considerado o principal fórum para cooperação econômica internacional. A cúpula terá três sessões temáticas e resultará em uma declaração de líderes.
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal detido preventivamente. A Primeira Turma do Supremo vai decidir se mantém ou não essa prisão em sessão marcada para a próxima segunda-feira, das 8h às 20h.
A medida não está relacionada ao cumprimento da pena por tentativa de golpe, pela qual Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses e estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A defesa tem até a segunda-feira às 23h59 para apresentar questionamento sobre a condenação.
Um dos motivos para a prisão preventiva foi o chamamento a vigílias feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, segundo a decisão. A Polícia Federal entendeu que essas ações poderiam causar aglomerações em frente à residência de Bolsonaro, apresentando risco para ele e terceiros. Flávio utilizou textos bíblicos para convocar uma mobilização permanente pela liberdade do pai. A decisão cita a “garantia da ordem pública com risco de aglomeração e para o próprio preso”.
Moraes avaliou que tais vigílias repetiriam a estratégia da trama golpista, citando a realização de manifestações em quartéis e o risco de que uma aglomeração dificultasse a ordem de prisão ou até possibilitasse fuga.
Na madrugada do dia 22, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica, conforme informou Moraes. O episódio ocorreu às 0h08. A decisão sugere que o ex-presidente pode ter tentado fugir aproveitando a confusão causada pela vigília convocada por Flávio.
A decisão ressalta que a convocação dos manifestantes, embora disfarçada de “vigília” pela saúde do réu, indica repetição do modus operandi da organização criminosa liderada por Bolsonaro, que envolve manifestações populares para obter vantagens pessoais.
Créditos: UOL Notícias