China realiza exercícios militares com foguetes ao redor de Taiwan
Na manhã desta terça-feira (30), a China lançou sete foguetes em áreas de treinamento próximas a Taiwan, conforme informado pela Guarda Costeira taiwanesa.
Devido às manobras, o controle do tráfego aéreo em Taiwan foi reforçado e 76 voos domésticos com destino às ilhas vizinhas foram cancelados, afetando cerca de seis mil passageiros.
Os exercícios, que começaram na segunda-feira (29), provocam temores de escalada do conflito global.
O Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular da China (ELP) anunciou que as forças terrestres realizaram um treinamento de tiro real de longo alcance no mar ao norte de Taiwan. Li Xi, porta-voz militar, afirmou que os exercícios atingiram os objetivos planejados.
Lai Ching-te, presidente de Taiwan, condenou veementemente as ações militares chinesas, de acordo com a agência Reuters.
Essas são as maiores manobras militares realizadas ao redor de Taiwan nos últimos oito meses, envolvendo tropas do Exército, Marinha e Força Aérea e o uso de munição real. Vídeos do Exército chinês mostram lançadores de foguetes, disparos de mísseis e caças decolando de diversas bases aéreas.
No mar, navios chineses dispararam canhões circundando a ilha. O governo de Taiwan criticou o exercício e mobilizou Guarda Costeira e Aeronáutica para manobras defensivas. O Ministério da Defesa de Taiwan declarou que as Forças Armadas estão preparadas para o pior cenário.
Autoridades alertaram sobre o risco que a pressão militar representa para a comunidade internacional, considerando que Taiwan fornece tecnologia globalmente e que o estreito entre a ilha e a China é uma rota comercial crucial. Apesar do aumento da tensão, moradores de Taipé demonstraram serenidade.
A disputa entre China e Taiwan remonta a 1949, após o fim da Guerra Civil chinesa, quando as forças nacionalistas, derrotadas pelos comunistas, se estabeleceram em Taiwan mantendo um governo separado. Pequim considera Taiwan uma província rebelde, embora a ilha tenha governo autônomo e democrático.
Os exercícios começaram 11 dias depois do anúncio dos Estados Unidos sobre o maior pacote de venda de armas a Taiwan no valor de US$ 11 bilhões, aumentando as tensões entre Pequim, Taipé e Washington. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China culpou forças externas por armarem Taiwan e agravarem a situação no estreito.
Além disso, recentemente a primeira-ministra do Japão sugeriu que poderia responder militarmente caso a China atacasse Taiwan, o que causou irritação em Pequim. Os exercícios da China continuam nesta terça-feira.
Créditos: g1