EUA renovam interesse na Groenlândia apesar da oposição dinamarquesa
Um documento histórico com mais de um século pode voltar à discussão, pois o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou novamente interesse na Groenlândia, mesmo diante das fortes objeções do governo dinamarquês e seus aliados europeus.
Trata-se da Declaração de Lansing. Em 4 de agosto de 1916, o Secretário de Estado dos EUA, Robert Lansing, durante a presidência de Woodrow Wilson, notificou a Dinamarca de que os Estados Unidos não se oporiam ao controle dinamarquês sobre todo o território da Groenlândia.
O documento afirmava que: “O abaixo-assinado Secretário de Estado dos Estados Unidos da América, devidamente autorizado por seu Governo, tem a honra de declarar que o Governo dos Estados Unidos da América não se oporá à extensão dos interesses políticos e econômicos do Governo Dinamarquês a toda a Groenlândia.”
Essa declaração fazia parte de um acordo mais amplo que formalizou a venda das Índias Ocidentais Dinamarquesas para os Estados Unidos, território atualmente conhecido como Ilhas Virgens Americanas.
O documento original está disponível no Arquivo Nacional Dinamarquês.
Em entrevista à CNN, o parlamentar dinamarquês e membro do Parlamento Europeu Anders Vistisen criticou duramente as declarações do presidente Trump sobre a Groenlândia, chamando-as de “francamente estúpidas”, embora tenha ressaltado que os Estados Unidos já reconheceram a soberania dinamarquesa sobre a ilha.
Ele ressaltou que, caso o governo americano tenha dúvidas, pode consultar os seus próprios registros que confirmam que “o território da Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca”.
Localizada no Ártico, a Groenlândia abriga mais de 56 mil habitantes e é um território autônomo da Dinamarca, antiga colônia dinamarquesa.
De posição estratégica entre os Estados Unidos, Europa e Rússia, a Groenlândia é considerada fundamental para a segurança americana há longo tempo.
A ilha é rica em recursos naturais, incluindo petróleo, gás e metais de terras raras.
Com o avanço da crise climática e o derretimento das geleiras do Ártico, as rotas de navegação pelo norte podem se tornar mais acessíveis durante todo o ano, o que incrementa ainda mais a importância da região.
Créditos: CNN Brasil