Internacional
09:05

Europa prepara plano caso EUA avancem sobre Groenlândia, diz França

Países europeus estão elaborando um plano para reagir caso os Estados Unidos decidam assumir o controle da Groenlândia, informou nesta quarta-feira (7) o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot.

Barrot não detalhou o plano, mas afirmou que o tema será discutido em reunião com os ministros das Relações Exteriores da Alemanha e da Polônia ainda hoje. Não está claro quais outros países integrarão essa iniciativa além da França e Alemanha.

Essa movimentação ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, retomar a ameaça de tomar a Groenlândia — uma ilha no Ártico que pertence à Dinamarca — e não descartar o uso de força militar para isso. Barrot também mencionou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou a possibilidade de invasão da ilha.

Na terça-feira, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram declaração conjunta afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que somente Dinamarca e Groenlândia podem decidir seu futuro. O comunicado ressalta ainda a importância de garantir a segurança no Ártico de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual EUA e Dinamarca são membros.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual ação americana contra a Groenlândia poderia levar ao fim da Otan. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também criticou a postura do governo Trump, pedindo o fim da pressão e das especulações sobre anexação.

O jornal norte-americano The Washington Post reportou que autoridades dos EUA informaram a interlocutores europeus que a ação contra a Groenlândia é uma possibilidade cada vez mais concreta. O New York Times informou que Rubio comunicou ao Congresso americano que Trump pretende comprar a ilha em vez de invadi-la, e que as declarações recentes fariam parte de uma estratégia para pressionar pela venda.

Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram reunião com Marco Rubio para discutir a escalada das tensões, mas pedidos anteriores foram recusados pelos EUA.

Recentemente, a Casa Branca confirmou que Trump considera a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional, avaliando várias opções, inclusive o uso das Forças Armadas. O vice-chefe de gabinete Stephen Miller disse à imprensa que “ninguém vai lutar militarmente contra os EUA pelo futuro da Groenlândia”, mas evitou comentar possibilidades de intervenção armada.

Trump já demonstra interesse na Groenlândia desde seu primeiro mandato, e no ano passado voltou a afirmar seu desejo de anexar o território aos Estados Unidos.

No sábado (3), Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicou nas redes sociais um mapa da Groenlândia com a bandeira dos EUA e a legenda “em breve”, após os EUA lançarem uma operação contra a Venezuela para capturar Nicolás Maduro.

Dinamarca e Groenlândia reforçaram o pedido por respeito à integridade territorial da ilha, destacando que o controle caberia exclusivamente ao seu povo.

Geograficamente na América do Norte, a Groenlândia é território pertencente ao Reino da Dinamarca, com autonomia para formar governo próprio e possibilidade de independência por referendo.

Os Estados Unidos consideram a Groenlândia estratégica para a segurança nacional, podendo abrigar sistemas de defesa antimísseis. A população local poderia votar em independência e associação aos EUA, porém especialistas avaliam essa hipótese como remota.

Créditos: g1

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