Internacional
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Venezuela anuncia libertação de presos políticos e agradece apoio de Lula

O governo da Venezuela comunicou nesta quinta-feira (8) a libertação de um “número importante” de presos políticos, incluindo venezuelanos e estrangeiros, em um primeiro gesto de mudança sob o regime da presidente interina Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro.

O anúncio foi realizado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, que afirmou que as libertações ocorreriam “nas próximas horas”, sem especificar a quantidade de presos que serão liberados.

Rodríguez declarou que a medida representa um “gesto unilateral para reforçar nossa decisão inabalável de consolidar a paz na república e a convivência pacífica entre todos, independentemente de diferenças políticas, religiosas, econômicas ou sociais”.

O presidente da Assembleia Nacional também expressou agradecimentos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Catar pelo apoio à Venezuela, sugerindo que eles podem ter contribuído para a libertação dos presos.

Ele afirmou que a decisão foi unilateral, mas que Lula, Zapatero e representantes do Catar responderam prontamente a um pedido da presidente interina, sem detalhar a natureza dessa solicitação ou o envolvimento do Brasil na decisão.

Segundo o Foro Penal, organização de direitos humanos sediada em Caracas, a Venezuela ainda possui 860 presos políticos, sendo quase 90 estrangeiros. Muitas dessas pessoas são acusadas de crimes como incitação ao ódio, conspiração para derrubar o governo ou terrorismo, por supostamente exercerem direitos políticos básicos.

O anúncio acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado em entrevista ao jornal The New York Times que o novo governo da Venezuela está cooperando com a Casa Branca. Trump indicou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogo aberto com a presidente interina do país.

Desde a captura de Maduro, Trump tem dado menor atenção aos direitos humanos na Venezuela. Perguntado no domingo (4) sobre discussões com Caracas a respeito da libertação dos presos políticos ou o retorno da oposição, ele afirmou que sua prioridade era consertar a indústria petrolífera venezuelana.

Na terça-feira (6), Trump mencionou que o governo de Rodríguez estava encerrando uma “câmara de tortura” localizada em Caracas, possivelmente referindo-se ao El Helicoide, um edifício inicialmente projetado para ser um shopping center e que se tornou sede da polícia secreta e uma prisão do país.

Créditos: Valor

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