Irã prende 200 líderes de protesto enquanto país segue com internet bloqueada
O governo do Irã informou nesta quarta-feira (10) a detenção de pelo menos 200 pessoas consideradas líderes dos protestos que se espalham pelo país. A população vive o 13º dia de manifestações, o maior movimento em mais de três anos contra o governo, com o objetivo de derrubar o líder supremo Ali Khamenei.
As autoridades acusam os detidos de organizar atos considerados “distúrbios” e de manter ligações com grupos que o governo classifica como terroristas. As prisões ocorreram em diversas regiões iranianas, em ações coordenadas pelas forças de segurança, conforme divulgado pela emissora estatal Press TV.
Segundo o governo, armas foram encontradas em esconderijos utilizados pelos suspeitos. A operação teria o propósito de neutralizar os principais organizadores dos protestos, que se aproximam de duas semanas de duração.
O anúncio ocorre em meio ao endurecimento do regime diante da maior onda de protestos no país nos últimos anos. Embora o governo afirme a prisão de 200 líderes, organizações independentes relatam que o total de presos supera esse número.
A Human Rights Activists News Agency (HRANA) estima que mais de 2.300 pessoas foram detidas desde o início dos protestos. A agência também informa pelo menos 65 mortes, incluindo 50 manifestantes, entre eles sete menores de idade, 14 membros das forças de segurança e um civil ligado ao governo. Hospitais estariam sobrecarregados.
O Irã enfrenta um bloqueio da internet há mais de 48 horas, segundo a organização NetBlocks, dificultando a verificação independente dos fatos. O governo iraniano atribui a escalada da violência à interferência externa, acusando os Estados Unidos de incitar atos violentos e vandalismo durante os protestos.
Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estava em “sérios apuros” e advertiu diretamente: “É melhor não começarem a atirar, porque nós também vamos começar a atirar.”
A reação internacional foi rápida. A ONU manifestou estar “consternada” com as mortes. “Em qualquer parte do mundo, as pessoas têm direito a manifestações pacíficas, e os governos são responsáveis por proteger esse direito”, declarou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric.
Do lado opositor no exílio, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, declarou que os protestos são “magníficos” e que o movimento evoluiu para uma nova fase. Ele também anunciou que se prepara para retornar ao país, afirmando que o objetivo não é apenas protestar nas ruas, mas se preparar para controlar os centros urbanos.
Na televisão estatal, em discurso na terça-feira (9), Ali Khamenei afirmou que a República Islâmica alcançou o poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e que não recuará diante dos protestos.
Líderes europeus também se pronunciaram. Em comunicado conjunto, o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz destacaram que as autoridades iranianas têm o dever de proteger a população e garantir a liberdade de expressão e o direito à reunião pacífica sem temer represálias.
Créditos: UOL Notícias