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15:27

PF deflagra Operação Miragem e bloqueia R$ 670 mi contra líder da Universal

PF deflagra Operação Miragem e bloqueia R$ 670 mi contra líder da Universal

Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal iniciou a Operação Miragem para investigar supostas fraudes no Banco Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões contra os investigados, incluindo Edir Macedo, líder da Igreja Universal e proprietário do banco.

A investigação aponta que o banco pode ter utilizado fundos de investimento para camuflar um rombo bilionário. Até o fechamento desta matéria, a defesa dos envolvidos não havia sido localizada.

Entre os alvos das buscas estão dirigentes do Digimais, como o bispo João Urbaneja, aliado próximo de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja. Também foram alvos os executivos Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero.

Edir Macedo não foi sujeito a buscas, pois reside fora do país. A PF ainda cumpre mandados em endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, proprietários da ID, gestora dos fundos do Digimais, suspeitos de auxiliar na fraude contábil.

Após Edir Macedo assumir o banco, segundo a PF, as operações focaram em crédito consignado e financiamento de veículos, com um breve crescimento seguido de severa deterioração e prejuízos significativos.

Entre 2023 e 2024, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas acima de 110% do CDI.

A PF ressalta que a emissão desses CDBs, juntamente com a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, expôs o Digimais a uma carteira de crédito avaliar em aproximadamente R$ 600 milhões.

Investigadores indicam que o banco realizava superavaliação sistemática dos ativos dos fundos administrados pela corretora ID para inflar artificialmente seu patrimônio e permitir a emissão desproporcional de títulos, configurando gestão fraudulenta e inserção de dados falsos nos demonstrativos contábeis.

Em maio, foi revelado pelo Estadão que fundos do banco tinham sido usados para maquiar prejuízos multimilionários. Uma operação demonstrada pela auditoria independente obrigatória envolveu a holding de Edir Macedo comprando R$ 741 milhões em cotas de um Fundo de Direitos Creditórios chamado Hermon.

O Hermon possui direitos a uma indenização judicial resultante da ocupação pela ditadura de Getúlio Vargas em 1940 da Companhia de Mineração e Siderurgia que originou a Vale do Rio Doce. A Justiça Federal do Rio determinou que a União indenize os acionistas originais e herdeiros, estimados em R$ 2,2 bilhões, mas o cálculo e pagamento ainda são controversos e podem levar anos.

De acordo com a PF, a ID usou uma rede de fundos para comprar esses ativos por R$ 71 milhões, que foram reavaliados para R$ 741 milhões, inflando seu patrimônio.

Créditos: tribuna do norte

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