Inverno mais quente no RN pode elevar demanda hídrica e pressionar agricultura

A agricultura do Rio Grande do Norte enfrenta o risco de maior estresse hídrico e aumento da demanda por água no segundo semestre, devido à previsão de um inverno mais quente na região. Segundo o setor produtivo, culturas de sequeiro são as mais vulneráveis a esse cenário, que está associado ao fenômeno El Niño e tende a apresentar temperaturas acima da média histórica e ventos mais fracos, conforme dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn).
A Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) ainda considera prematuro prever se haverá crescimento ou queda na produção agrícola no próximo semestre, destacando que o resultado dependerá das condições climáticas nos meses seguintes. Para áreas irrigadas, a expectativa é de manutenção da produtividade, desde que o fornecimento de água seja suficiente.
Culturas de sequeiro, como milho e feijão, são apontadas pela Faern como as mais suscetíveis às mudanças climáticas previstas, pois dependem diretamente da umidade do solo e da regularidade das chuvas. A federação ressalta que o principal desafio não é um evento climático isolado, mas sim a crescente variabilidade dessas condições.
De acordo com a Faern, os agricultores potiguares têm mostrado resistência diante de condições adversas históricas, mas para manter a competitividade será necessária uma gestão eficiente da água, com assistência técnica, acesso a crédito, inovação e tecnológicas adaptadas ao semiárido.
A redução dos ventos pode ainda modificar o microclima das lavouras, afetando temperatura, umidade e o desenvolvimento das plantas, o que pode favorecer o surgimento de doenças ou demandar ajustes no manejo. Na pecuária, os impactos ocorrem na disponibilidade de pastagens e na necessidade hídrica dos animais, além do conforto térmico do rebanho, o que pode elevar custos de produção.
Para mitigar prejuízos, a Faern recomenda estratégias adaptativas consolidadas para o semiárido, como o uso de variedades adequadas, escalonamento do plantio, planejamento forrageiro, armazenamento de reservas alimentares e adoção de sistemas de irrigação eficientes. O armazenamento de água em pequenas estruturas e o acesso contínuo à assistência técnica são também essenciais para reduzir riscos.
Investimentos em segurança hídrica, pesquisa, assistência técnica e tecnologias para o semiárido são apontados pela federação como formas de diminuir os efeitos das variações climáticas sobre a agropecuária regional.
O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do RN (Fetarn), Erivam do Carmo, destaca que o aumento da temperatura pode afetar negativamente a agricultura familiar, sobretudo pela evaporação acelerada da água, o que pode reduzir a produção agrícola.
Segundo ele, os pequenos produtores serão os mais impactados, devido à menor capacidade de investimento em sistemas de irrigação e outras adaptações.
O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, Guilherme Saldanha, considera que o fenômeno El Niño não deverá causar prejuízos à agropecuária potiguar em 2026, já que a quadra chuvosa do primeiro semestre ocorreu dentro da normalidade, assegurando a produção de culturas como milho e feijão e a formação das pastagens.
Ele informou que o governo estadual está trabalhando para garantir a segurança hídrica nos próximos meses por meio de negociações com a Agência Nacional de Águas (ANA) e a continuidade das ações de abastecimento.
Créditos: Tribuna do Norte