Projeto Porto-Indústria Verde investe R$ 6,8 bi no RN com megaprojeto sustentável

A gestão de Fátima Bezerra pretende deixar aos seus sucessores o projeto do Porto-Indústria Verde, um investimento estimado em R$ 6,8 bilhões planejado para os próximos dez anos. Neste momento, a atual administração assina o contrato com o BNDES para desenvolver o primeiro módulo do complexo, que será instalado em Caiçara do Norte.
O cronograma prevê o início do diagnóstico preliminar já em julho de 2026, seguido pelo detalhamento do estudo ambiental em 2027. O porto, concebido como um megaprojeto viabilizado por parcerias público-privadas (PPPs), funcionará como um corredor de exportação para energia limpa. A estrutura integrará a geração de energia eólica offshore a produções em grande escala de hidrogênio verde, amônia, e-metanol, fertilizantes e aço verde.
No contexto dos investimentos governamentais, o Rio Grande do Norte lidera o crescimento no país, com alta impressionante de 575,5% acima da inflação, seguido pelo Paraná (214,9%) e Tocantins (188,6%). Pernambuco (150,4%) e São Paulo (119,4%) completam o topo do ranking de evolução. Contudo, em valores absolutos, São Paulo permanece na liderança no primeiro quadrimestre de 2026, investindo R$ 2,4 bilhões, seguido pelo Paraná (R$ 2,2 bilhões) e Bahia (R$ 1,8 bilhão). São Paulo também lidera nas inversões financeiras, com R$ 5,2 bilhões, avanço de 11,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Um editorial do jornal O Globo trouxe atenção ao Rio Grande do Norte como exemplo negativo de gestão pública. Destacou o aumento da dívida do estado de 27,5% para 41,5% entre 2023 e 2024, encerramento de 2025 com caixa negativo e déficit primário até abril de 2026. O economista Tiago Sbardelotto, da XP, apontou que, dada a baixa disponibilidade de caixa, o Rio Grande do Norte é o estado que mais preocupa atualmente. O editorial alerta ainda que será lamentável se práticas como gastos eleitoreiros e planos para aumento de dívidas persistirem nos próximos quatro anos.
Em paralelo, o Rio Grande do Norte tornou-se um caso emblemático de colapso fiscal no país, conforme reportagem da Gazeta do Povo, jornal paranaense fundado em 1919. A publicação define a gestão Fátima Bezerra como um exemplo trágico de descontrole financeiro, ressaltando que o RN foi o único estado brasileiro a ultrapassar o teto de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Hoje, quase 60% dos impostos pagos pela população são consumidos pela folha de pagamento e manutenção da máquina pública.
Esse cenário gerou rombo bilionário de quase R$ 3 bilhões no caixa, estagnação dos investimentos em infraestrutura e uma crise política crônica, na qual até aliados evitam apoiar a candidatura sucessora. Enquanto isso, um terço da população permanece abaixo da linha da pobreza. Para o jornal paranaense, tais práticas representam um ataque direto ao bem-estar da população e à atividade produtiva do estado.
Créditos: Tribuna do Norte