Bandeira Amarela Pressiona Custos Empresariais no RN em Julho

A permanência da bandeira tarifária amarela para o mês de julho representa um sinal de alerta para o setor produtivo no Rio Grande do Norte. Conforme a Fecomércio-RN, a cobrança adicional na conta de energia intensifica uma pressão já existente sobre empresas e consumidores, aumentando os custos operacionais, diminuindo as margens de lucro e podendo influenciar o preço final de produtos e serviços.
A decisão da Aneel agrega uma taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos devido à redução das chuvas nos principais reservatórios e à necessidade de operar usinas termelétricas, que têm custo elevado. Segundo a Fecomércio-RN, os setores que dependem fortemente de climatização, refrigeração e produção contínua são os mais impactados, enquanto as famílias também podem sentir efeitos no orçamento.
“A manutenção da bandeira amarela prolonga um desafio que o setor já enfrenta nos últimos meses”, afirmou a Fecomércio-RN em comunicado. “Além do impacto direto nos gastos das empresas, há um reflexo no orçamento familiar, que passa a destinar mais renda para despesas essenciais, alterando o ritmo do consumo”, complementou.
A entidade destaca que o custo adicional pode ser repassado aos preços dos produtos e serviços, variando conforme o tamanho da empresa, o segmento e o grau de concorrência do mercado. “Muitos empresários tentam absorver esses custos para manter a competitividade, mas quando a pressão sobre as despesas persiste, parte do aumento pode chegar ao consumidor final.”
A federação recomenda que as empresas reforcem a eficiência energética e considerem investimentos em tecnologias mais econômicas, como geração própria ou compartilhada de energia. O economista Helder Cavalcanti comenta que para grandes empresas a energia não é mais só uma despesa operacional, mas um diferencial competitivo. “Organizações devem investir em gestão energética, manutenção preventiva, atualização tecnológica e geração própria por fontes renováveis sempre que possível”, declarou.
Pedro Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Indústria Mais RN, afirma que a energia elétrica pode responder por mais de 40% dos custos industriais. “Um aumento de 1% na tarifa tende a reduzir a produção industrial em cerca de 0,10%”, explicou. Ele enfatiza que setores que usam muita energia, como alimentos e bebidas (pela refrigeração), químico, confecção e têxtil, sofrem mais com o custo extra.
Pedro também destaca que as empresas enfrentam um cenário complicado, com queda na produção industrial potiguar, saldo negativo de emprego no setor comparado a 2025, alta taxa Selic e dificuldades nas exportações.
Para minimizar o impacto no orçamento, especialistas da Neoenergia Cosern indicam cuidados no uso de aparelhos que consomem mais energia, como ar-condicionado e chuveiro elétrico. Sugere-se usar o ar em temperaturas adequadas, chuveiro na função “verão”, reduzir o tempo no banho, aproveitar iluminação natural e evitar deixar equipamentos ligados desnecessariamente.
No setor comercial, recomenda-se revisar processos e substituir equipamentos antigos por modelos mais eficientes para evitar desperdícios.
Créditos: Tribuna do Norte