Mais da metade das empresas veem atividade industrial abaixo do esperado no 1º quadrimestre de 2026

Uma Consulta Empresarial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicou que 51,7% das empresas participantes consideraram que a atividade industrial no primeiro quadrimestre de 2026 ficou abaixo das expectativas definidas no final do ano anterior. Esse dado contrasta com o crescimento da produção industrial registrado no período, segundo a PIM-PF do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento abrangeu dados de janeiro a abril.
A percepção de desaceleração é reforçada pelo fato de que 57,2% dos entrevistados afirmaram que a demanda interna ficou aquém do esperado, e 53,2% indicaram queda nos pedidos e encomendas no período em comparação com as projeções.
Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, destaca que esses números revelam uma situação crítica na indústria de transformação, pois uma parcela significativa das empresas não percebe novos estímulos positivos em produção, demanda, emprego e investimentos, apesar de alguns indicadores favoráveis no início do ano.
Além de avaliar a percepção da atividade industrial, a consulta buscou compreender por que o crescimento na produção, faturamento e horas trabalhadas, medidos pela CNI, não foi sentido pela maioria dos empresários.
Quase 73,9% das empresas atribuíram a influência negativa no desempenho dos negócios às condições econômicas gerais no primeiro quadrimestre. Por outro lado, 38% consideraram que as condições internas da empresa ou do setor não exerceram impacto negativo relevante.
Entre as empresas que reportaram aumento ou manutenção da atividade, 12% destacaram avanços tecnológicos, automação e ganhos de produtividade como principais fatores. O aumento da demanda interna foi citado por 8,6% e a reposição de estoques por 6,4%. No entanto, 65,8% não identificaram avanços ou sustentação da atividade industrial nesse período.
Larissa Nocko também mencionou fatores que prejudicam a indústria, como os aumentos significativos nos custos devido à guerra no Oriente Médio, a obsolescência de máquinas e equipamentos, a concorrência com produtos importados e o alto endividamento empresarial.
Quanto às perspectivas para o restante do ano, 37,4% das empresas consideram ser cedo para avaliar, 30,4% esperam avanço parcial com riscos, 15,5% acreditam em sustentação do crescimento e 9,8% veem o avanço como pontual ou temporário.
A pesquisa foi realizada entre 4 e 18 de maio e entrevistou 271 empresas de 24 estados brasileiros.
Créditos: Tribuna do Norte