Lula propõe negociação com Trump e critica tarifas e sanções dos EUA
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva publicou no domingo (14.set.2025) um artigo no jornal americano New York Times. No texto, Lula manifesta interesse em negociar com Donald Trump, mas também o acusa de desonestidade, afirmando que o líder dos EUA utiliza tarifas e sanções para proteger o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe.
Inicialmente, Lula adota um tom conciliador e sugere estabelecer um diálogo mais elevado com os Estados Unidos. Na sequência, critica a Casa Branca, dizendo que a postura brasileira está justificada porque sempre se opôs ao chamado consenso de Washington, que ele define como uma receita política baseada em proteção social mínima, liberalização comercial ampla e forte desregulamentação, vigente desde os anos 1990.
O consenso de Washington foi formulado no final da década de 1980 pelo economista John Williamson, então do Institute for International Economics, atual Peterson Institute de Washington. Ele apresentou recomendações para países em desenvolvimento focadas em estabilização macroeconômica e abertura comercial. Williamson destacou que essas eram orientações, não imposições, e rejeitou a classificação delas como neoliberalismo.
Ao escolher o New York Times para enviar sua mensagem a Trump, Lula pode ter cometido um erro, visto que o ex-presidente tem críticas frequentes ao jornal.
Lula classifica como “equivocado” e “ilógico” o aumento tarifário de 50% imposto por Trump a alguns produtos brasileiros, citando o superávit comercial do Brasil com os EUA e afirmando que o Brasil não aplica tarifas elevadas sobre produtos norte-americanos.
No entanto, os EUA enxergam alto protecionismo brasileiro, com taxas muito maiores sobre produtos americanos, como o etanol, que sofre tarifa de 20% no Brasil contra 2,5% nos EUA. Um relatório do Representante de Comércio dos EUA, publicado em março de 2025, estima que as barreiras comerciais brasileiras geram um impacto anual de US$ 8 bilhões para os EUA, afetando setores como etanol, bebidas alcoólicas, produtos remanufaturados e barreiras alfandegárias.
Lula defende que essas medidas americanas não têm justificativa econômica e alega um motivo político, afirmando que os EUA usam tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para Bolsonaro, acusado de tentar um golpe em janeiro de 2023.
O presidente também se declara orgulhoso da condenação de Bolsonaro e outros sete acusados pelo STF na quinta-feira (11.set), resultado de meses de investigações. Ele rejeita a ideia de “caça às bruxas”, termo utilizado por Trump para se referir ao caso.
Sobre a regulação das redes sociais, Lula afirma que é desonesto falar em censura, ressaltando que a internet deve proteger crianças e adolescentes contra abusadores e pedófilos.
Por fim, o presidente reafirma sua disposição para negociar com Trump, destacando que diferenças ideológicas não impedem cooperação e respeito mútuo entre Brasil e Estados Unidos, citando discurso do republicano à ONU em 2017 que valorizava nações soberanas e fortes trabalhando juntas.
Créditos: Poder360