Economia
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Anvisa suspende fabricação e ordena recolhimento de produtos Ypê por falhas sanitárias

Anvisa suspende fabricação e ordena recolhimento de produtos Ypê por falhas sanitárias

A Anvisa suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de produtos da marca Ypê, incluindo lava-louças, sabões líquidos e desinfetantes, após identificar falhas graves na produção que comprometem a segurança sanitária.

A medida atinge lotes com numeração final 1, produzidos pela empresa Química Amparo, localizada na cidade de Amparo, São Paulo. Consumidores que possuem os produtos devem interromper o uso imediatamente e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

A decisão foi baseada em uma avaliação técnica sobre riscos sanitários realizada pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), após uma inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo), feita na semana anterior.

Durante a inspeção, foram constatadas falhas significativas em etapas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, conforme informado pela Anvisa.

Essas falhas comprometem os requisitos essenciais das Boas Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e indicam risco à segurança dos produtos, podendo haver contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos.

A inspeção foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril e constatou os descumprimentos das boas práticas de produção mencionadas.

Dois fiscais participaram da fiscalização nas instalações da empresa: um da Anvisa, um do CVS e outro do Grupo de Vigilância Sanitária da região. O auto de infração foi lavrado pela autoridade local, segundo o secretário de comunicação de Amparo, Luiz Crescenzo. A empresa agora tem dez dias para apresentar recurso, que poderá ser negado caso não conteste adequadamente as irregularidades, o que pode acarretar multa.

A Ypê confirmou que seus produtos são seguros, afirmando que há fundamentação científica robusta, com testes e laudos técnicos independentes, que comprovam a segurança dos itens das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetante, sem representar riscos ao consumidor. A empresa mantém diálogo com a Anvisa e confia na reversão da decisão com apresentação de novas evidências técnicas.

A companhia é líder em várias categorias do segmento de higiene e limpeza no Brasil, com mais de 450 produtos em 23 categorias, incluindo as marcas Assolan, Atol, Tixan, Perfex, Flor de Ypê, Siene e Banho a Banho. Fundada em 1950, a empresa possui mais de 7.300 funcionários e sete unidades fabris, distribuídas por Amparo (SP), Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE).

A Anvisa já monitorava a empresa desde pelo menos novembro do ano anterior, após detectar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em três variedades de sabão líquido para lavar roupas. Essa bactéria pode afetar pessoas com baixa imunidade, sendo comum em infecções hospitalares, especialmente pulmonares em pacientes com fibrose cística.

Além de orientar os consumidores a suspenderem o uso dos lotes afetados, a Anvisa determinou que vigilâncias sanitárias estaduais e municipais intensifiquem a fiscalização para evitar a circulação desses produtos, em união com ações do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).

A íntegra da Resolução 1.834/2026, com a lista dos produtos e lotes recolhidos, foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio. A suspensão e recolhimento atingem somente lotes terminados em número 1 dos produtos indicados.

Créditos: O Globo

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