Saúde
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Hospital Walfredo Gurgel aponta falta de 189 itens e alerta gravidade

Hospital Walfredo Gurgel aponta falta de 189 itens e alerta gravidade

A Divisão de Farmácia do Hospital Walfredo Gurgel emitiu um alerta nesta sexta-feira para a Secretaria de Saúde do Estado sobre a falta de 189 itens essenciais, incluindo insumos básicos como luvas e agulhas e medicamentos vitais, como a noradrenalina. O memorando da unidade descreve o cenário como de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”.

Leidiane Queiroz, secretária adjunta de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), afirmou em entrevista à Tribuna do Norte que a situação no hospital não é crítica ou alarmante e garantiu que não há risco imediato para a assistência dos pacientes. Ela explicou que falhas na entrega geralmente decorrem de entraves com fornecedores e não de falta de pagamento.

De acordo com o documento, 25% do catálogo de insumos do Walfredo Gurgel está em desabastecimento total, correspondendo a 189 itens. Outros 11% estão em nível crítico, com quantidades suficientes para menos de um mês, enquanto 64% do estoque é considerado regular, com suprimentos para mais de um mês, totalizando 482 itens.

Faltam materiais básicos como luvas de procedimento (o tamanho M consome mais de 126 mil unidades por mês), seringas, agulhas, esparadrapos e água destilada para diluir remédios. Também faltam medicamentos essenciais para casos graves de UTI, como noradrenalina, calmantes, analgésicos fortes como morfina, antibióticos injetáveis e soro fisiológico.

A crise afeta ainda cirurgias de urgência e emergência, com estoque zerado de tubos para intubação, sondas, drenos, agulhas de anestesia, bisturis e fios para suturas cirúrgicas.

A Divisão de Farmácia destacou que 72% dos itens em nível crítico estão em processo de aquisição, indicando que a situação não decorre de inação do setor. O memorando aponta que os principais gargalos são a tramitação e prazos de liquidação, falta de orçamento, descumprimento de prazos por inadimplência e morosidade em licitações.

Essas dificuldades têm causado ruptura no estoque, com cobranças constantes das equipes médicas e de enfermagem. A Divisão relata que sua rotina é focada no manejo diário de crises e contingenciamento de insumos básicos, uma situação que ultrapassa sua capacidade de resolução isolada.

A Sesap informou que mantém negociações diárias com fornecedores e aplica sanções a quem descumpre contratos, incluindo multas e impedimentos para licitar.

Também são realizadas ações de remanejamento interno entre hospitais da rede e articulações interestaduais para evitar interrupção no atendimento a pacientes graves durante a finalização de novos processos de licitação.

Financeiramente, as aquisições passaram a ser custeadas com recursos federais em 2026, após incremento no teto de Média e Alta Complexidade obtido junto ao Ministério da Saúde. Esse fluxo permite o pagamento pontual dos novos contratos e redução significativa dos restos a pagar do período anterior, prevendo o encerramento do mandato com a menor dívida histórica no hospital e contas zeradas com fornecedores.

No hospital, acompanhantes relatam dificuldades, como falta de máscaras para visita à UTI e necessidades de compra de medicamentos por familiares de pacientes. Profissionais também informam a ausência de itens como álcool, papel e cilindros de oxigênio, reforçando a situação delicada relatada no documento da farmácia.

Créditos: Tribuna do Norte

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