Reciclagem no RN promove renda e inclusão social com projeto Pró-Catadores

A reciclagem tem se destacado como uma estratégia que promove tanto a preservação ambiental quanto a inclusão social, transformando cidades e melhorando a vida de famílias que dependem dos resíduos descartados pelo consumo. No Rio Grande do Norte, o projeto Pró-Catadores, do Sebrae-RN, apoia especialmente mulheres no conjunto Gramoré, em Natal, que se dedicam à produção de móveis a partir de plástico reciclado.
Lançado no estado em 2025, o projeto já beneficiou 459 catadores, 47 organizações do setor e 45 municípios, com investimento total de R$ 4 milhões e expectativa de expansão em 2026. A Cooperativa EcoD’elas, formada por mulheres em situação vulnerável, recebe formação para transformar plástico em móveis sustentáveis e capacitação empreendedora, ministrada pela ONG The Human Project, parceira do Sebrae pelo projeto ZRO.
O grupo desenvolveu o conjunto escolar infantil Ecodesk, produzido totalmente com resíduos plásticos, que será oferecido à rede pública e poderá expandir seu portfólio de produtos, incluindo móveis para pousadas, em função do turismo local, conforme a vice-presidente da cooperativa, Ana Cláudia Fonsêca.
A matéria-prima é obtida por doações e pela captação promovida pelo Sebrae e ZRO, que recolhem materiais limpos provenientes de outras cooperativas de catadores. O processo de produção ocorre em uma oficina cedida pelo Centro Educacional Dom Bosco, onde o plástico (baldes, bacias, garrafões, cadeiras e tampas) é inicialmente triturado — manualmente e depois por máquina —, separado por tipo (PEAD e PP) devido à sua resistência, derretido em placas e finalmente moldado em móveis.
Jéssica Sá, coordenadora do ZRO, destaca o foco em mulheres sem formação técnica e em vulnerabilidade econômica, que são geralmente mães solo ou beneficiárias do Bolsa Família. Exemplos como Francinete Nascimento e Andrea Rodrigues, que criam sozinhas cinco filhos cada, mostram a esperança gerada pelo projeto em garantir independência financeira e novas perspectivas.
Além disso, em Lagoa de Velhos, no Agreste potiguar, o programa Lagoa de Velhos Sustentável, iniciado em março, tem modificado o manejo dos resíduos sólidos pela população com a criação da moeda circular Fabião. Essa moeda pode ser trocada por produtos na ecoloja Maria Carolina de Jesus, fomentando a reciclagem e gerando emprego por meio da Associação Mãos que Reciclam, composta por 12 catadores treinados pelo Sebrae.
O prefeito José Nildo Galdino celebrou o início do programa, que já recolheu 32 toneladas de lixo em abril, destinando 21 para o aterro, 7 para reciclagem e 3 para compostagem, alcançando um terço da meta anual de redução de resíduos no aterro. A associação conta com apoio de catadores antigos e reinserção profissional para a maioria de seus integrantes.
Para 2026, o Sebrae planeja atender 630 catadores, 40 organizações e 45 municípios através do Pró-Catadores, com consultorias e capacitações para ampliar negócios e melhorar técnicas, conforme a analista Mabele Dutra. O programa visa aumentar o valor agregado dos produtos reciclados e ampliar as oportunidades no setor, fortalecendo a cadeia de reciclagem no estado.
Créditos: Tribuna do Norte