Sessão do STF mobiliza oposição e alerta governo sobre relatório da PF

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15) motivou uma mobilização de parlamentares da oposição e colocou o governo em alerta quanto aos possíveis desdobramentos da análise do relatório da Polícia Federal (PF) que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante a campanha eleitoral, senadores e deputados da oposição deslocaram-se para Brasília para debater a crise no Supremo Tribunal Federal. Parte do grupo acompanhou a sessão do STF de dentro de um plenário de comissão do Senado.
O encontro ocorreu durante uma audiência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Nas intervenções, os congressistas criticaram o STF, apontando “irregularidades”, principalmente no julgamento dos acusados pelos atos de 8 de Janeiro.
A oposição reforçou o pedido de avanço no processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e exigiu a investigação do caso Banco Master por meio de uma comissão parlamentar de inquérito. Paralelamente, o presidente Lula (PT) solicitou a seus assessores atualizações frequentes sobre o andamento do julgamento no Supremo, pedindo informações “a cada meia hora”.
Na manhã do mesmo dia, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto que ocorreu simultaneamente à sessão do STF, o presidente Lula não fez discurso. Ministros do Palácio também acompanharam o caso, e José Guimarães da Secretaria de Relações Institucionais declarou que a “transparência” deve prevalecer nos processos do STF.
A sessão foi suspensa no início da noite depois que o ministro Flávio Dino pediu vista, adiando a decisão sobre o caso.
Outros candidatos à Presidência também manifestaram posicionamentos sobre o STF. O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou vídeo criticando Lula pela situação atual da Corte, afirmando que o governo promoveu um “desequilíbrio institucional”. Augusto Cury (Avante) defendeu que o STF conclua a investigação contra Moraes antes do primeiro turno das eleições para que o eleitor possa escolher com base nisso.
Ronaldo Caiado (PSD) defendeu uma reforma no Judiciário e o afastamento de Moraes, classificando o julgamento como histórico e escandaloso, com falta de decoro e liturgia. Renan Santos (Missão) comentou que alguns ministros, como Dias Toffoli e Kassio Nunes, não participaram da votação ao se declararem suspeitos ou impedidos.
Romeu Zema (Novo) publicou trechos do julgamento e participou de manifestação contra os “intocáveis” do STF, ressaltando que ninguém está acima da lei. Ele também criticou Moraes por ataques a André Mendonça e pediu transparência, afirmando que a justiça deve ser igual para todos.
Créditos: Tribuna do Norte