Aliança entre Centrão e bolsonarismo pode afetar discurso e eleições, diz político
A aprovação da PEC da Blindagem e a urgência para analisar o Projeto de Lei da Anistia evidenciam uma aliança entre o Centrão e o bolsonarismo. O professor e cientista político Fernando Abrucio, da FGV-SP, discutiu esse tema em entrevista para o podcast O Assunto no dia 19 de setembro.
Abrucio destaca que essa aliança pode trazer impactos negativos aos apoiadores fiéis de Jair Bolsonaro, especialmente por criar uma contradição no discurso político bolsonarista. Ele citou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que em sessão debatendo a PEC da Blindagem, declarou que deseja ser “blindado mesmo”, contraste com sua retórica anterior contra as elites.
Conforme Abrucio, o voto a favor da PEC contribui para a formação de uma elite protegida, o que fere a narrativa contra o sistema que o bolsonarismo defendia. A aliança com o Centrão, portanto, desgasta politicamente o bolsonarismo.
O cientista político também destacou que o presidente Lula observa esse cenário e, mesmo enfrentando perda de governabilidade por tensões entre Congresso e Supremo, pode se beneficiar eleitoralmente do desgaste dos candidatos ligados ao Centrão e bolsonaristas.
A PEC da Blindagem, aprovada rapidamente, amplia proteções a parlamentares em processos cíveis e criminais, o que para especialistas representa retrocesso democrático e favorece impunidade e privilégios políticos.
Abrucio acrescentou que o alinhamento entre bolsonarismo e Centrão, exemplificado pela escolha de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria, é motivado pelo medo de investigações e o desejo de manter impunidade em irregularidades e crimes.
Agora, o texto segue para o Senado, onde a aprovação será mais difícil devido à renovação das cadeiras e ao risco eleitoral para senadores. A proposta precisará de 49 votos em dois turnos para avançar.
Créditos: g1