Projeto da UFRN usa bordado para promover cuidado e bem-estar a cuidadores

Criar bordados tornou-se uma forma de expressar arte com calma. Com agulha, linha, tecido e tesoura, o artesanato se transforma em obra de arte. Essa é a essência das atividades do projeto “Entre Saúde e Bordados”, desenvolvido pela Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (Facisa), da UFRN.
Voltado para o cuidado e bem-estar de responsáveis por crianças em vulnerabilidade social, o projeto atende cuidadores vinculados ao Centro Especializado em Reabilitação de Santa Cruz. As ações compreendem oficinas de bordado livre, momentos de escuta qualificada e rodas de conversa sobre temas relacionados à saúde, fortalecendo o bem-estar físico e emocional dos participantes.
A coordenadora do projeto, professora Amanda Soares, explicou que o programa surgiu a partir de sua experiência pessoal como artesã e bordadeira. Iniciado em outubro de 2025, o projeto integra essa vivência ao contexto acadêmico como estratégia para cuidar e promover a saúde.
Amanda destaca que evidências científicas evidenciam os benefícios de unir arte à saúde. Estudos mostram que atividades manuais, seja por lazer ou renda, reduzem estresse e ansiedade, promovem relaxamento, satisfação, foco, expressão emocional e senso de produtividade. Esses efeitos são sentidos na saúde mental das participantes.
Além disso, bordar com frequência pode estimular o desenvolvimento de novas habilidades manuais e práticas, fortalecendo a atividade cerebral e promovendo mudanças positivas na vida das pessoas envolvidas.
A professora ressalta que a prática traz benefícios como tranquilidade, paciência e estímulo à criatividade. Para ela, bordar abriu caminho para outras habilidades, como pintura e crochê.
Outro objetivo é contribuir para a independência financeira das participantes, criando uma rede de apoio para quem enfrenta dificuldades econômicas e cuida de crianças em vulnerabilidade social. O bordado pode se tornar fonte complementar de renda, promovendo autonomia e valorização pessoal.
O projeto é voluntário e não conta com financiamento. Doações de materiais para as oficinas são bem-vindas, conforme Amanda.
As inscrições ocorrem pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa), abertas no início de cada semestre. Atualizações são disponibilizadas no perfil @entresaudeebordados nas redes sociais.
Sobre a participação, Amanda explica que o projeto é aberto a todos os cuidadores, independentemente do gênero. Porém, até o momento, o público é majoritariamente feminino devido a fatores socioculturais que ainda atribuem principalmente às mulheres o cuidado familiar.
Vinicius Costa de Oliveira, 21 anos, estudante de enfermagem da UFRN, é o único homem participante. Ele integra o projeto e atua nas oficinas ao lado de mães de crianças atípicas e equipe especializada.
Vinicius relata que, apesar do receio inicial, foi acolhido e conseguiu desenvolver práticas eficientes. Ele destaca que o projeto ajuda a ressignificar ideias sobre gênero e cuidado, mostrando que sensibilidade, expressão artística e cuidado não têm gênero.
Para ele, o bordado também funciona como forma de escuta ativa e terapia, trazendo benefícios para estudantes de saúde que participam do projeto.
Vinicius ressalta que o bordado se tornou uma forma de cuidado e pausa durante momentos de sobrecarga e estresse, oferecendo tranquilidade e organização dos pensamentos e emoções. Ele pretende levar essa prática para sua vida pessoal e profissional.
Créditos: Tribuna do Norte