Política
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Indignação e protestos marcam reação à PEC da Blindagem na Câmara

A aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados tem causado grande indignação, unindo partidos da esquerda e setores da direita para manifestações previstas para este domingo. A mobilização popular ainda é incerta, enquanto a esquerda busca retomar sua força organizativa.

O governo Lula espera que o Senado consiga barrar as medidas, enquanto a insatisfação da população pode reavivar um sentimento de cidadania até então adormecido. O impacto desses protestos pode influenciar a percepção do governo e a dinâmica política no futuro próximo.

Nas redes sociais, a aprovação da chamada “PEC da Bandidagem” gerou repercussão intensa, reunindo grupos políticos tradicionalmente opostos. Porém, o alcance dessa indignação coletiva é questionável, pois deputados e senadores estão cada vez mais afastados do contato direto com suas bases eleitorais, privilegiando emendas e votações que quase não refletem a opinião pública.

Alguns parlamentares acreditam que a aprovação será esquecida rapidamente, e priorizam articulações internas ao Congresso em detrimento da prestação de contas à sociedade civil.

Neste domingo, a esquerda enfrentará um teste importante de mobilização em manifestações contra o que chamam de “combo blindagem-anistia”. Artistas, intelectuais e juristas manifestam oposição à anistia prevista, confiando que o Senado aja como a “voz da razão” em um Congresso que parece distante dos interesses dos contribuintes.

Nos últimos anos, atos de direita têm obtido maior adesão, especialmente impulsionados pela estrutura permanente de mobilização do bolsonarismo e o apoio significativo das denominações evangélicas, que também usam seus canais para sustentar protestos em favor do ex-presidente Bolsonaro. Por outro lado, o PT e os sindicatos, antes protagonistas de grandes mobilizações à esquerda, perderam força após crises como o mensalão e a Lava-Jato, sem conseguir recuperar sua capacidade mesmo durante os atos pela democracia que contribuíram para a derrota de Bolsonaro em 2022.

Embora os deputados tenham exagerado, há o risco de que essa situação estimule uma reativação do senso de cidadania, que vinha adormecido, substituído apenas pela reprodução de indignações nas redes sociais, onde a direita ainda leva vantagem em engajamento.

Até o momento, o governo Lula tem tido pouca influência nos acontecimentos, que são conduzidos por grupos secundários dentro do Congresso. Nem mesmo a aparente insatisfação de Lula direcionada ao deputado Hugo Motta foi capaz de frear a aprovação dos projetos.

Agora, Lula aposta que o Senado bloqueie essas medidas polêmicas, mas essa estratégia depende da disposição do senador Davi Alcolumbre de enfrentar seus colegas do Centrão. Uma forma de garantir apoio para Alcolumbre foi assegurada ao confirmar que seus ministros permanecerão em seus cargos durante uma mudança no União Progressista, grupo liderado por Antônio Rueda e Ciro Nogueira, principais arquitetos da PEC da Blindagem combinada com anistia para golpistas.

Outra aposta está no renascimento de uma frente ampla, tendo as manifestações de domingo como possível ponto de partida. Ministros do governo foram autorizados a participar dos atos. A avaliação no Palácio do Planalto é que, mesmo se as manifestações não forem bem-sucedidas e o Congresso aprovar o “tratoraço”, a imagem de Lula pode se beneficiar pela percepção de que o governo defende pautas populares, enquanto o Legislativo atua por interesses próprios.

Porém, caso os protestos não tenham adesão significativa, o efeito pode ser o inverso: reforçar a ideia de que o desgaste parlamentar é temporário e incentivar novas investidas similares no futuro.

Créditos: O Globo

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