Ministro Celso Sabino anuncia demissão após ultimato do União Brasil
O ministro do Turismo, Celso Sabino, do União Brasil, informou ao presidente Lula que apresentará sua carta de demissão depois do ultimato imposto pelo seu partido, que ordenou a saída de seus integrantes do governo. Sabino, que lidera a organização da COP 30, desejava permanecer no cargo devido a suas ambições eleitorais para 2026, mas decidiu acatar a determinação da sigla. Ainda assim, outros ministros do União Brasil continuarão no governo.
Nesta sexta-feira, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sabino comunicou sua decisão de deixar o governo. O movimento segue a decisão do União Brasil, que na quinta-feira antecipou o desembarque na Esplanada e exigiu que seus afiliados entreguem seus cargos em até 24 horas.
Após reunião de uma hora e meia no Palácio da Alvorada, o ministro explicou a Lula a posição do partido, informou que possui compromissos importantes e que entregará sua carta de demissão após o retorno do presidente dos Estados Unidos, previsto para o dia 25 de setembro. Lula estará fora entre os dias 21 e 25 para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York.
A antecipação do desembarque do União Brasil ocorreu um dia antes da decisão de Sabino e exige o desligamento imediato dos filiados do governo. Inicialmente, a entrega dos cargos estava prevista para o final do mês. Uma norma interna do partido publicada na quinta-feira prevê sanções disciplinares para aqueles que não cumprirem a exoneração.
Um integrante da executiva nacional do União Brasil explicou que, apesar do ministro não ter cumprido prontamente o prazo de 24 horas, a intenção de apresentar a demissão na próxima semana, desde que firme, é vista como razoável e possivelmente terá o apoio da executiva, que ainda decidirá os próximos passos.
Sabino está à frente dos preparativos da COP 30 em Belém, marcada para novembro.
Mesmo com a pressão do partido, o ministro tinha interesse em permanecer na função, principalmente por motivações eleitorais. No início de setembro, disse a Lula que trabalharia para permanecer no cargo, inclusive cogitando se afastar da legenda, hipótese que foi rejeitada pelo União Brasil.
A permanência de Sabino no governo está relacionada a seus planos eleitorais de 2026. Deputado federal pelo Pará, ele pretende disputar uma vaga ao Senado na chapa com o governador Helder Barbalho, do MDB.
Segundo interlocutores, Lula teria sinalizado apoio a Sabino nessa disputa. Nas eleições de 2022, Lula venceu no Pará com 54% dos votos.
Embora o União Brasil tenha anunciado o desembarque, o partido ainda conta com três ministérios no governo. Sabino é indicado pela bancada da Câmara da legenda. Os ministros Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não devem ser afetados pelo movimento, mesmo que Alcolumbre faça parte da executiva do partido.
Créditos: O Globo