Lula e Celso Sabino acertam demissão do ministro do Turismo após ONU
O presidente Lula (PT) se reuniu na tarde desta segunda-feira com o ministro do Turismo, Celso Sabino, após o União Brasil ter dado um prazo de 24 horas para que seus filiados deixassem o governo. Ficou combinado que Sabino entregará sua carta de demissão após a participação de Lula na Assembleia-Geral da ONU, na próxima terça-feira.
Durante o encontro, Sabino afirmou que apresentará a carta de demissão após o retorno da viagem de Lula. O presidente fará o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, permanecerá em Nova York para eventos sobre clima e diplomacia e deve retornar na quarta-feira à noite. Sabino mencionou ainda a necessidade de cumprir compromissos importantes no fim de semana, incluindo a participação na Festa do Sairé, tradicional festa do Pará, seu estado natal.
Sabino esteve aproximadamente uma hora e meia conversando com Lula. Eles já haviam falado por telefone logo após o anúncio do partido, quando o ministro indicou sua disposição em deixar o cargo.
Após o anúncio, Sabino cancelou suas agendas no Pará e voltou a Brasília já no dia anterior. Também conversou com o presidente do seu partido, Antônio Rueda, tentando reverter a decisão do União Brasil para manter seu cargo. Caso persista a resistência dos filiados em deixar os cargos, estes podem ser expulsos do partido. Até o momento, não houve manifestação oficial e o prazo regimental termina à meia-noite.
O governo não planeja a demissão dos demais ministros indicados pelo centrão. Segundo apuração do UOL, Lula entende que essa decisão cabe aos partidos e não insistiu para que Sabino permanecesse.
O prazo para entrega dos cargos foi antecipado depois de decisão da Executiva Nacional do União Brasil. Inicialmente, a saída estava prevista para o final do mês.
A determinação do partido foi influenciada por denúncias contra Antônio Rueda. Uma reportagem do UOL, em parceria com o Instituto Conhecimento Liberta (ICL), mostrou acusações feitas por um piloto que afirma que Rueda é proprietário de aviões usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Rueda nega as alegações.
Membros do União Brasil veem influência do Planalto nas denúncias. A nota oficial do partido declarou estranheza pela divulgação das supostas inverdades poucos dias após o anúncio da Federação União Brasil-PP de afastamento dos cargos do governo. A federação é uma das maiores forças no Congresso e sua decisão ocorreu durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Além de Sabino, a decisão de desembarque também atinge o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA). No entanto, o PP não emitiu nova determinação para que Fufuca deixe o cargo, o que permite maior chance de permanência. Fufuca chegou a declarar voto em Lula para 2026 durante evento no Maranhão.
Sabino tem resistido à pressão para deixar o ministério, sustentando conversas com o partido e tentando estender seu mandato até o início do próximo ano, quando a descompatibilização se torna obrigatória para quem pretende concorrer a cargos eleitorais. Ele pretende disputar o Senado e esperava contar com o apoio de Lula, mesmo que não tenha alinhamento com o governador Helder Barbalho (MDB), aliado do presidente.
Sabino também é um dos ministros mais ativos na preparação da COP30, que será realizada em Belém em novembro.
O deputado licenciado assumiu o Ministério do Turismo em agosto de 2023, substituindo Daniela Carneiro (União Brasil-RJ), em meio a estratégias para obter maior apoio no Congresso, com o aval do centrão e do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de Sabino.
Créditos: UOL Noticias